iG

Publicidade

Publicidade
25/08/2016 - 09:58

UM TERREMOTO NO CORAÇÃO PAULISTANO

Compartilhe: Twitter

O terremoto da Itália bate no coração paulistano. Somos a segunda maior cidade italiana do mundo. Temos uma pronuncia inconfundível, que vem da Moca. Temos 13 mil pizzarias na cidade, com a melhor pizza do mundo. A macarronada é o arroz com feijão de todos os domingos. O molho mais famoso de nossas cantinas é à matriciana. Nossa festa religiosa fica no Bexiga, Nossa Senhora da Acheropita, a outra, San Genaro, fica no Brás. Em 1920, em São Paulo, só 40% da população falava português.
Neste terremoto, de Perugia a Matrícia, tudo é destruição e morte. O mais belo patrimônio, com as mais belas pessoas, está soterrado. Algumas pessoas foram salvas dos escombros pela segunda vez, tal é a incidência de tremores na Itália. Da mesma forma que as camadas teutônicas, a beleza dos monumentos provem de três continentes.
A Itália é um país enfeitado pela civilização. Na península tudo evoca criatividade e arte. Mas a natureza é invejosa. Desde Pompéia flagela a terra, por baixo.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/08/2016 - 10:37

GOETHE E A TESTOSTERONA

Compartilhe: Twitter

Tomo remédios necessários que reduzem o corpo ao que eu me julgava ser, na adolescência, um puro espirito. A redução absoluta da testosterona nos tira o vigor, a libido, os músculos, tudo aquilo que os atletas precisam para glorificar o corpo e conquistar medalhas. No entanto, creio que esse corpo reduzido nos oferece uma oportunidade, e única, de aproveitamento do espírito. Como nos restam a inteligência e a criatividade, ficamos intensos na observação e na criação poética.
Outro dia pensei em Goethe, aquele magnifico filme de Alexander Sokurov: “O Inferno de Fausto”. Veio-me à cabeça o final, com aquele horizonte belo, mas indefinido, que sobrou para que Fausto escolhesse seu último caminho. Logo, com uma velocidade enorme, num bate pronto, percebi a poesia pronta :

GOETHE

Só no horizonte sem fim
O homem percebe
A grandeza do horizonte.

São as montanhas mutiladas
Pela retina de Fausto
Em seu último e fatal acordo.

Ninguém escapa do horizonte
Mesmo quando paga com ouro
A alma depenada do decoro.

Mesmo trancado no sonho
Com todos os pés fora da terra
Torna-se prisioneiro do horizonte.

O que aprisiona não são paredes,
Mas a abertura final do olhar
Que nos liberta numa prisão eterna.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/08/2016 - 09:02

CASTIDADE, SACERDÓCIO E EMPREGO

Compartilhe: Twitter

Helio Schwartsman, colunista da Folha, é desses jornalistas que calçam suas crônicas num repertório profundo de conhecimentos. Contudo, na quarta feira passada, foi grosseiro, superficial e preconceituoso ao afirmar: “A Igreja Católica exige de seus padres que façam votos de castidade para obter empregos”.
Vocação sacerdotal não é emprego. É uma qualificada destinação de vida e talento a serviço de uma crença. Se é uma vocação particularmente religiosa, no plano público, da mesma forma que o jornalismo, é uma vocação de caráter ético e social. Um cientista, casto ou não, pode ser completamente neutro em face de tudo mais, pois sua vocação se concentra no fenômeno cientifico. Um padre tem compromissos com o destino humano. Se a condição celibatária não é um dogma da religião, mas uma disciplina com data, não pode ser considerada condição de emprego. É sim uma condição de aceitação do magistério nas circunstâncias atuais, que podem ser mudadas a qualquer instante.
A tragédia de jornalistas excessivamente cultos, é se perderem da compreensão dos valores simbólicos da sociedade e da vida. Pautam-se pela razão pura, que só existiu na cabeça de Kant e nos pressupostos de Descartes e na tendência de materializar o sentido da vida e da historia, segundo o inteligente modelo de Engels e de Marx.
Por isso mesmo, o jornalista também acha que “OURO”, é uma coisa besta. Besta pra ele, não para o orgulho nacional. Não para milhares de crianças que agora, em vez de praticar o POKÉMON GO, vão para os clubes, as academias e os campos de várzea praticar algum esporte, estimulados pelo exemplo de nossos atletas.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/08/2016 - 11:19

VAMOS PARA A RUA DEFENDER A LAVA JATO

Compartilhe: Twitter

Definitivamente querem acabar com a LAVA JATO.
Gilmar Mendes se precipita ao acusar o Ministério Publico de vazar ilegalmente acusações contra um ministro. O procurador geral defende sua tropa contra o que considera um estelionato delacional publicado na Veja e nega a existência do fato nos autos.
Alguns são a favor da Lava Jato quando ela atinge seus inimigos. Nunca, quando a operação se aproxima dos seus pares. O PT, Lula e seus advogados já tentaram, não apenas desmoralizar o juiz Moro, como invalidar os procedimentos judiciais, que pela primeira vez na historia do Brasil colocaram poderosos na cadeia.
A antiga oposição continua ambígua. Agora, vejam só, até ministros do Supremo Tribunal Federal, aborrecidos com o lodo que pode sujar suas pantufas, erguem muralhas judiciais contra os procedimentos da investigação.
Tribunais, desde que eu cursei a Faculdade de Direito, julgam processos que chegam às suas jurisdições. Não é função de Tribunal fuçar as atribuições dos outros poderes, sem serem provocados, quando seus atos os incomodam.
É claro que não se combate corrupção com violação à lei, mas isso não justifica acabar com o combate à corrupção, por avaliações unilaterais.
Nenhum Tribunal pode mudar a regra de um processo definido em lei, só porque têm seus interesses contrariados. Mudar leis é incumbência do Parlamento e recusar delações é incumbência do Ministério Publico.
Vou lutar com todos os neurônios de minha velhice, para impedir que a Lava Jato seja fechada. As pessoas decentes do PT, do PSDB, do PMDB, da REDE, e demais instituições da sociedade civil devem entrar nessa luta. Este sim é um motivo para irmos às ruas, juntos, sem discriminação de ideologias nem de partidos.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/08/2016 - 13:21

ALGUMAS LIÇOES DA OLIMPÍADA

Compartilhe: Twitter

A vitória do Brasil no futebol mostra o quanto companheiros precisam se habituar uns com os outros antes e durante as disputas. Um craque é um craque, mas uma seleção é outra coisa. É colaboração, vontade de ganhar, é afetividade, é patriotismo. Depois dos dois primeiros empates a seleção renasceu em confiança e companheirismo. Aceitou a liderança de Neymar, e o que é importante, Neymar aceitou lidera-los com generosidade.
A vitória do Brasil no volley mostra o esforço, o método e a persistência. Cada jogador conhecia sua posição e sua função. Cada jogador sabia o que o outro podia fazer. Todos perceberam que não se ganha um jogo, mas ganha-se cada ponto. Tinham um treinador e um líder que eles respeitavam.
A derrota das meninas no futebol, mostra o lado heróico de nossa falta de estrutura. A seleção feminina é um bólido isolado, que provem de si mesma. Os clubes não tem futebol feminino. O futebol feminino tem um apoio ridículo. É parcamente financiado, não é estruturado, não tem continuidade. A seleção que nos venceu tinha quatro times reservas. Por isso mesmo, na hora H, temos garra, mas nos falta a estratégia da frieza. Saber como parar um gol que se encaminha. Vistas, uma por uma, ninguém as iguala. Formiga é o símbolo dessa grandeza.
Quanto aos atletas merecem um corcovado de Ouro. Saem da privação, de derrotas e até de humilhações para se superarem e vencerem os campeões do mundo. A exceção dos que estão nas forças Armadas, não contam com ninguém. Vencem por conta própria. Acabada a Olimpíada voltam para as agruras da sobrevivência. O ministério e as secretarias de esporte deviam decorar os seus nomes e procurar conhecer os nomes potenciais para a Olimpíada de Tóquio. A Inglaterra superou-se após as derrotas anteriores e até o progresso conseguido em sua própria Olimpíada. Agora foram os vice campeões do mundo.
O Brasil pode fazer o mesmo, desde que não apague a tocha até a próxima disputa.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/08/2016 - 15:39

TUDO É MARAVILHA

Compartilhe: Twitter

Uma festa é uma festa, uma festa, uma festa.
Além da tecnologia, o que marca uma festa é o calor humano, a afetividade e o sentido da festa. Desculpe-me o Nelson de Sá, magnifico jornalista da Folha de São Paulo. O Japão não deu um baile nos oito minutos que lhe foram reservados no encerramento das Olimpíadas. O Japão foi impecável na tecnologia apresentada, mas sua apresentação parecia uma cirurgia, um parto com laser, mesmo com a imaginosa proeza de parir o primeiro ministro de um ícone do game.
Onde a cena inesquecível dos meninos transformados em estrelas da bandeira nacional, cantando o hino da pátria acompanhados de atabaques? Onde as rendeiras transformadas em metáfora da criatividade nacional? Onde a apoteose de confraternização humana que explodiu no campo da batalha olímpica, num carnaval universal de alegria e paz?
O Brasil preferiu a sintaxe do afeto ao rigor de um roteiro mais apropriado às aberturas, não a um encerramento MARAVILHOSO. Tudo era maravilha, no olhar, na paisagem, nos discursos, a ressuscitar ELKE, que é maravilha mesmo depois de morta.
O Japão é o país das lentes. O Brasil é o país do olhar

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/08/2016 - 16:26

UMA FOTO INESQUECÍVEL

Compartilhe: Twitter

Uma fotografia pode ser o retrato do mundo. De tempos em tempos, sobretudo em tempos trágicos, alguns fotógrafos registram momentos que se tornam símbolo. Seja uma criança diante de um fuzil no Vietnã, seja um casal de namorados se beijando em Paris, no dia da vitória, seja um olhar desesperado de uma menina do Paquistão.
Nesta semana, um menino sírio retirado dos escombros é colocado por um médico sem fronteiras, na cadeira vermelha de uma ambulância. Nunca vi nada mais triste do que aquele rosto coberto de pó. Nunca vi nada mais aterrador do que o silêncio daquele menino. O pavor é mudo e profundo. Toda a maldade humana se revela para o mundo, porque as nações não se importam com a paz na síria. Querem apenas vencer para fixarem seus campos de autoridade. Que os imigrantes morram nos mares e sejam humilhados nas fronteiras ou vivam como párias nos partidos onde penetram, não importa. O que importa é afirmar a potência e a prepotência.
Não importa a sombra de um menino coberto de pó e de dor.
Todos oferecem aviões, bombas, soldados, fuzis, tanques e metralhadoras.
Ninguém oferece a paz.
Viva o menino do silêncio.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/08/2016 - 17:56

POBRES NADADORES: MENTIROSOS E IGNORANTES

Compartilhe: Twitter

Sair de uma vitória. Ir para uma balada. Encher a cara com caipirinha. Urinar no chão do Posto de Gasolina. Tudo isso pode ficar por conta da tensão, da competição e até mesmo da euforia da vitória.

Mas há, no comportamento dos nadadores americanos, duas coisas gravíssimas.

A primeira coisa foi mentir. Mentir publicamente para a imprensa internacional, para o Comitê Olímpico, enfim, para todo mundo. Mentira, nos Estados Unidos, é coisa grave. Nixon foi apeado do cargo de presidente porque mentiu. Esses meninos mentiram e tiveram que desmentir. Pois desmentiram em depoimento à polícia.

A outra coisa, pior, foi a ignorância que eles têm dos outros, em particular, e do mundo, em geral. O Brasil faz um sacrifício enorme para realizar a Olimpíada, para que eles possam ganhar livremente suas medalhas, para que todo mundo possa sentir-se seguro, apesar de tudo. Ele não entenderam nada disso, como não entendem nada do que se passa a dez km de suas universidades. E, por ignorância, desacreditaram o Brasil em toda a imprensa mundial. Eles não sabem nada do que é a Síria. Eles não sabem coisa alguma do México. Eles não tem a menor ideia do que é o Brasil. Devem ter ficado espantados de que aqui haja delegados e cadeia.

Não é necessário que fiquem nas cadeias. O mundo já sabe que eles são mentirosos e ignorantes. Esse é o maior castigo para um campeão.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/08/2016 - 10:31

NOSSOS ATLETAS SÃO HERÓIS DESPROTEGIDOS

Compartilhe: Twitter

Esporte exige educação física, mental e psicológica. É claro que isso requer uma estrutura de apoio aos atletas, para que eles não sejam fruto apenas de um esforço sobre humano de um gari que se torna campeão da maratona, sem ter condições de se alimentar adequadamente, de um canoeiro que precisa pescar para se alimentar ou de uma jogadora de futebol que necessita fazer crochê para mandar o filho para a escola. A exceção do futebol masculino, que tem uma estrutura milionária de sustentação, os atletas brasileiros são verdadeiros heróis da persistência e do esforço pessoal.
Isso que afirmo está completamente comprovado pelo fato que nove ganhadores de medalhas, até agora, inclusive jovens mulheres, pertencem aos quadros das Forças Armadas. Isso quer dizer que a estrutura militar lhes proporciona condições de vida, treinamento, disciplina, apoio técnico e psicológico para enfrentar seus adversários, no campo pacífico da luta olímpica.
A verdade é que enquanto estão no campo da disputa, aplaudimos freneticamente os brasileiros, mas quando voltam para a rotina dos treinamentos e da sobrevivência nós os esquecemos completamente, até o próximo campeonato ou disputa olímpica.
Os governo, da mesma forma. Ministérios e Secretarias de Esporte estão sempre atrelados a interesses maiores como o turismo, e nunca se dedicam, no tempo de treinamento, a ajudar os atletas, com sistema e recursos.
Esta Olimpíada foi formidável, inclusive para nos informar que nossos atletas são cidadãos abandonados de qualquer colaboração sistemática dos governos.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/08/2016 - 23:13

O CARÁTER ARGENTINO

Compartilhe: Twitter

Numa Olimpíada ninguém tem a certeza da vitória, talvez e apenas Phelps e Bolt. No tênis, numa disputa com inscritos como Novac Djokovic, Rafael Nadal, Andy Murray, Juan del Potro e tantos outros muito qualificados, a vitória é sempre imprevisível. Djokovic é sempre favorito, mas Murray venceu a Olimpíada de Londres.
Não quero falar disso, pois televisões e jornais cantaram em prosa e verso as proezas e surpresas dos tenistas.
Quero falar dos atletas que superam a própria grandeza. Não se trata da técnica, da
Força ou da coragem. Trata-se do caráter. Da capacidade de ir até o fim, tirando resistência do cansaço, das dores e da derrota possível.
Isso aconteceu na final de tênis entre Murray, inglês e del Potro, argentino. Não preciso salientar que se trata de países com tradição de luta, cujos cidadãos detestam abaixar a cabeça.
A luta, na qual Murray era o favorito, embora com menos plateia, foi tão disputada, que se perderam serviços numa estatística rara. Depois de três horas de jogo, ambos estavam cansados, Juan del Potro exausto.
Quando fez o quinto ponto, Juan del Potro podia ganhar, mas Murray empatou. Só permaneciam na quadra por amor ao esporte e por deferência à pátria e à torcida.
Andy Murray venceu, mas nunca um derrotado foi tão aplaudido.
Ambos se abraçaram chorando. O que faz um homem não é a capacidade de emoção. É a grandeza.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo