iG

Publicidade

Publicidade
20/01/2017 - 17:48

MARIO SOARES – O ESTADISTA

Compartilhe: Twitter

Conheci-o de perto em poucos encontros, mas suficientes para saber que estava diante de um estadista, isto é, um político que se destaca por privilegiar os interesses públicos.

Como a maioria dos homens de bem na ditadura do Salazar, Mario Soares, enquanto estudante e profissional, foi preso inúmeras vezes. Exilou-se para retornar na Revolução dos Cravos, que ele tanto estimulou. Logo revelou o líder desprezado pela ditadura e chefiou a nova nação em inúmeras oportunidades. Deu fim ao interminável ciclo colonialista. Deu fim à prepotência, à perseguição e à tortura. Colocou Portugal na economia a no convívio democrático com as nações.

Faleceu na semana passada, com as honras, homenagens e a gratidão de toda uma nação. Foi lembrado por chefes de estado e por editoriais reconhecidos em todo o mundo. Espantoso que a imprensa brasileira não tenha reconhecido a grandeza de Mario Soares. A Folha noticiou sua morte em página interna, com moderado espaço, enquanto roqueiros sertanejos ocupavam páginas inteiras dos cadernos. Só alguns dias depois de sua morte, os jornais principais, Folha, Estadão e Globo lhe dedicaram editoriais e alguma cobertura.

No vazio de lideranças que assola nosso país, perceber Mario Soares, torna-se quase impossível. A miopia é uma consequência da decadência política. Só temos olhos para a porta das cadeias.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/01/2017 - 22:30

O PICHADOR

Compartilhe: Twitter

Pichador é um artista, como ele se afirma, ou é apenas um grafiteiro sem talento?

Opto pela segunda interpretação. Não é apenas um grafiteiro sem talento, é um cidadão ressentido. Seus símbolos não requerem criatividade nem qualidade artística. São carimbos repetitivos, tatuados na cara da cidade, nas empenas sem defesa, nos muros solitários dos terrenos baldios.

O pichador é um alpinista social. Quer se exibir a qualquer custo. Mancha, para se desmanchar em prazeres psicóticos. Borra porque não sabe pintar.

Em desafio ao projeto Cidade Linda de Doria e às propostas de recuperação desses delinquentes românticos, resolveram, por vingança e criação artística, sujar a cidade. Por enquanto estão conseguindo. Hordas de insetos com spray negro infestam a cidade como aedes aegipti, infectando os espaços ingênuos e disponíveis.

Pichar é uma transgressão penal. Mas o pichador é um cidadão susceptível de recuperação. Nesse sentido, a proposta de Doria de oferecer oportunidades alternativas é uma boa solução. Transformar pichadores em grafiteiros, em aulas de desenho e pintura é uma ideia muito boa.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/01/2017 - 09:18

QUANDO 8 PESSOAS VALEM 3 BILHÕES DE PESSOAS

Compartilhe: Twitter

Não é surpresa. É um susto.

Os oito homens mais ricos do mundo possuem o mesmo dinheiro que 3 biliões de pessoas somadas.

Isso quer dizer que oito pessoas tem sozinhos a mesma grana que a metade da população do mundo.

Não sei o que isso quer dizer.

Será o triunfo do esforço pessoal? Será da natureza do capitalismo essa concentração de rendas? Serão os homens tão desiguais que 99% dos trabalhadores só conseguem um salario modesto,  e isso quando conseguem, enquanto oito “gênios” acumulam todo o dinheiro do mundo?

A lenda de Midas diz que quando ele tocava no ouro, o ouro se multiplicava. Crassus foi o homem mais rico de Roma. Venceu Spartacus. Financiou legiões, mas nunca foi tão famoso quanto Júlio Cesar, que lhe pedia dinheiro emprestado. Os Médici foram os maiores banqueiros de Florença, uns generosos, outros estúpidos. Séculos depois os banqueiros Rotschild lideraram a riqueza dos homens, também banqueiros. Depois foram os industriais ingleses e norte americanos. Então veio Rockfeller, o rei do petróleo. Depois, os donos de redes comerciais como o Ortega (Zara) e por fim os bilionários de hoje, do campo da internet e finanças: Bill Gates (Micro), Bezos (Amazon), Zuckergerg (Face) e Buffet ( Hathaway).

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/01/2017 - 11:20

DAVOS PROPÕE UM NOVO CAPITALISMO

Compartilhe: Twitter

Para quem não é economista, como eu, embora todo cidadão seja um animal econômico, mercado é uma parte da população que pode pagar as contas, fazer compras, investimentos e até mesmo poupança.

Depois da queda do Muro de Berlim, o capitalismo teve duas caras complementares: o capitalismo financeiro, isto é, capital produz capital, mesmo sem empreendimentos produtivos e o mercado, uma espécie de símbolo capaz de avaliar o desempenho da riqueza.

Assim, o capitalismo se perdeu de suas origens, o que significava a produção de riquezas, a iniciativa pessoal, o desvendar das fronteiras, o risco do empreendimento, enfim todas aquelas atitudes que construíram o ocidente após o advento da era industrial.

Esse capitalismo heroico conheceu seu primeiro grande debacle na crise de 29 e só foi superado quando o economista Keynes deu a receita nova para a recuperação. O Estado auxiliando a estrutura social e econômica a produzir trabalho. Com isso Roosevelt salvou os Estados Unidos e o capitalismo.

O segundo grande debacle foi a crise de 2008, quando o capitalismo financeiro foi desmascarado, emprestando mais dinheiro do que as garantias permitiam.

A crença na virtude do mercado era tal que o próprio Grinspun, Chefe do Tesouro Americano, afirmou que a sabedoria do mercado seria capaz de corrigir qualquer bolha.

A solução diversa de Keynes para salvar o capitalismo foi o ajuste geral e irrestrito, na Europa, nos Estados Unidos e no Terceiro Mundo, recomendado pelo FMI.

NESTA SEMANA, DAVOS, A CAPITAL DO PENSAMENTO ECONÔMICO, RECOMENDA UMA REVISÃO DA ECONOMIA MUNDIAL. UM PENSAMENTO NOVO. UM NOVO CAPITALISMO. VAMOS VER.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/01/2017 - 10:42

COMO SE MORRE PASSARINHO

Compartilhe: Twitter

Não sei como morrem

Os passarinhos,

Mas deve ser assim:

 

Eles já não atacam

Os frutos maduros

Com a fome

De antigamente.

 

Voam apenas

o necessário

Para não se perderem

No ar.

 

Pousam em lugares

Inesperados,

Até nos ombros

De um homem solitário.

 

Não se lembram

Dos ninhos dos filhotes

Nem dos próprios.

 

Cantam,

Com um trinado

Doce e cristalino,

Frases mais curtas.

 

Posam para fotografia

Sem medo dos humanos.

 

Se apegam profundos

Mas não pensam,

São passarinhos.

 

Não são enterrados,

Desaparecem.

Tornam-se penas invisíveis

Depois de mortos.

 

Mas em vida

Despertaram olhares

Como as flores.

 

Não quero morrer

passarinho.

 

Sou apenas

Um homem,

Com alma,

Um poeta

Sem asas.

 

Faço palavras

Que voam.

 

 

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/01/2017 - 17:27

OBAMA COMOVEU GREGOS E TROIANOS

Compartilhe: Twitter

WE CAN!

Nós podemos, porque podemos com o povo. Podemos, porque realizamos com a democracia. Podemos, porque respeitamos a diversidade. Podemos, porque somos todos iguais. Podemos, porque eu tenho uma mulher maravilhosa, Michelle. Podemos, porque buscamos diminuir a desigualdade. Podemos porque melhoramos a saúde de 20 milhões de pessoas. Podemos porque não consideramos a ignorância uma virtude.

O discurso de Obama foi um misto de emoção e reconhecimento dos valores humanos. Foi um dos poucos elogios feito por um líder contemporâneo à democracia. Nossos lideres internacionais são apenas arautos da contenção fiscal , da manutenção da democracia na casa dos outros e do combate à violência que eles próprios produzem. Obama sabe que a paz deriva do bem comum e não do privilegio administrado. POR ISSO MESMO GANHOU O PREMIO NOBEL DA PAZ.

O caos previsto não virá da ausência de Obama, mas da ausência dos valores proclamados e praticados pelo primeiro presidente negro dos Estados Unidos. A Nação americana é capaz de sobreviver aos próprios erros, como o Vietnã, a invasão do Iraque, o apoio às ditaduras do terceiro mundo, porque ao final é capaz de reconhecer esses erros e recolocar os velhos valores como uma condição da criação de novos horizontes.

 

 

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/01/2017 - 09:44

AS PARÁBOLAS DA MINHA VIDA

Compartilhe: Twitter

Quando escrevi, em plena adolescência, meu poema O Menino Azul, percebi que era a primeira parábola que haveria de marcar a minha vida. “Tenho dois olhos de dor e o lado esquerdo de amor”.

Logo mais deparei-me com Saint Exupéry, mago de muitas parábolas, das quais O Pequeno Príncipe é uma obra prima de simplicidade. “Eu sou responsável por minha rosa”.

Já maior, com carta de motorista, deparei com A Montanha Mágica, de Thomas Mann, uma parábola da solidão, da qual o homem se torna tão prisioneiro no isolamento, quanto na liberdade.

Por fim, mas não por definitivo, encontrei a parábola psicológica da família humana, Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski. Não há em toda a bibliografia cientifica uma descrição dos tipos humanos tão completa quanto na literatura dos irmãos Karamazov. Dimitri é a paixão. Ivã é a razão. Aliocha é o afeto místico. Smerdiakov, o bastardo, é a metáfora da rejeição.

Na literatura bíblica do Evangelho para mim, o que me pareceu mais instigante, seja sermão, parábola ou enigma, foi a afirmação : Bem aventurados os pobres de espirito.

Mergulhei em outras parábolas produzidas pelo gênio humano, as Elegias de Duíno, nas quais todo “todo anjo é terrível”. Em Rimbaud, quando, “Por delicadeza perdi minha vida”. Na mais indecifrável das parábolas; “No meio do caminho tinha uma pedra”, de Drummond. Na inteira parábola de Diadorim, no Grande Sertão-Veredas. Na meia parábola de Macunaíma.

Agora, avançado na vida, descubro em Tróia, meu próximo livro de poesias, o Enigma de Penélope. “Só aos homens os deuses reservam prazeres maiores: a gloria e a amizade na guerra”.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/01/2017 - 13:59

O QUE É BOM PARA O BRASIL É BOM PARA OS ESTADOS UNIDOS

Compartilhe: Twitter

Todo mundo fez sua aposta para 2017: um feliz ano novo. Depois de 16, parecia impossível 17 não ser um ano melhor, mas, para o Brasil e para os Estados Unidos janeiro começa mal.

No Brasil, o massacre carcerário mostra um estado acéfalo. Alguns ingênuos acham que há excesso de estado no Brasil. O que há no Brasil é uma escassez de estado. o pouco estado que existe está onde não deve estar, se mete no que não deve, não faz o que deve. Na educação, na saúde, na segurança, no controle do sistema financeiro publico e privado, na política externa, o estado brasileiro está ausente. Não cumpre com suas obrigações constitucionais mínimas. Idiota pensar que a iniciativa privada, cúmplice maior das bandalheiras dos governos, será capaz, por uma transmissão milagrosa do poder, resolver os grandes problemas da nação.

Toda nação tem um estado que representa a sociedade, a partir dos poderes. A sociedade é que deve se transformar e exigir que os poderes cumpram suas atribuições. O massacre foi apenas mais um efeito dessa ausência irresponsável do estado.

Nos Estados Unidos Trump representa a figura de um desfundador da nação americana. É o contrario de George Washington, de Jefferson e de Hamilton. Cada um deles, a seu modo, era a própria exigência de valores para a construção de uma nação, que por isso mesmo se tornou grande. Não há nação sem ideais, nem ideais sem idealistas. Trump é a absoluta ausência de valores. É um naufrago dos ideais democráticos. Venceu com os instrumentos mais primitivos do marketing: a propagação da mentira sistemática pelos meios de comunicação de massa eletrônicos e digitais. É o populista das metáforas pornográficas. Como todo oportunista, não é um usurpador da plenitude, mas do vazio. Entra na Casa Branca com um séquito a altura de suas intenções e de suas propostas para destruir o estado americano.

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/01/2017 - 15:44

QUEM É O PRESO?

Compartilhe: Twitter

O PRESO É UM SER HUMANO.

Uns cometeram crimes comuns, outros crimes hediondos. Muitos traficaram armas, drogas ou pessoas. Alguns roubaram, outros praticaram pequenos furtos. Algumas pobres mulheres (70% DOS ENCARCERADOS POR TRÁFICO) serviram de mulas para traficantes machos. Mulheres desesperadas que praticaram o aborto, estão presas e deixaram a prole ao relento. Muitos presos estão com as sentenças já cumpridas. Há presos que lideram facções criminosas. Há presos que se iniciam no crime dentro das prisões. Há presos que são estuprados, mortos, degolados ou simplesmente isolados em masmorra. Ha presos novo ricos, de colarinho branco e cueca suja. No Brasil há mais presos do que espaços.

PORQUE SE PRENDE?

Umas correntes jurídicas acreditam que todo criminoso deve ser punido. Cometeu um delito, paga o preço. Outras correntes acreditam que, perigosos, os criminosos devem ser afastados da sociedade, para protege-la. As correntes jurídicas mais modernas acreditam que o preso deve ser recuperado e voltar para o convívio social. Como a prisão não reeduca ninguém. Alguns radicais acreditam que toda pena deve ser abolida. Os mais radicais ainda acham que bandido bom é bandido morto. Estão radiantes com os recentes massacres.

TEM SOLUÇÃO ?

Solução ampla, justa e imediata não existe. Mas há soluções que o estado brasileiro não pratica. Por exemplo. Equilibrar o número de vagas penitenciarias com o numero de presos. Tirar já da cadeia quem tem sentença cumprida. Cuidar mais das sentenças condenatórias. Investir mais na recuperação. Cadastrar digital e detalhadamente todos os presos brasileiros, para evitar prisão injusta ou desnecessária. Fazer da cadeia uma escola de trabalho, para que o ser humano se encontre com o ser social. Ser duro com o traficante, não com o consumidor.

Em nenhuma das manifestações de autoridades públicas sobre os recentes massacres deparamos com qualquer dessas soluções. Desculpe-me, mas só falaram bobagem

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/01/2017 - 15:28

2017 – 70 ANOS DE AMIGOS

Compartilhe: Twitter

Pertenço, o que é raro, a um mesmo grupo de amigos, que se uniu há quase 70 anos, em torno da JEC, Juventude Estudantil Católica, como militantes ou simpatizantes. Muitos deles, apesar do tempo, que é implacável, nos dão a alegria de estarem vivos.

Amigos mais jovens, netos, filhos e sobrinhos se espantam ao nos verem tão unidos, embora condutores de vidas tão diversas.

Eu, por certo, sou mais poeta do que político ou prosador. Sou mais amigo do que correligionário. Falo melhor do que escrevo. E se falo de mim, tento não falar dos outros. São o que são. Prefiro admirá-los., mas não resisto.

O Bresser, meu amigo mais antigo, vivia a indagar, quando criança, hoje vive a nos ensinar. O Fabio Aidar carrega a bagagem como uma dádiva. Fernão Bracher é o que tinha mais dúvidas, hoje tem uma certeza, a generosidade. O Cândido Mendes nos ensinou o B.A.BÁ erudito. Alain, pelos índios afora. O Eça sua como um adolescente as injustiças do mundo. Meirelles, igualzinho, desde os 16 anos, Zé Gregori, a voz rouca das Arcadas, Almino, sempre perto, desde o Amazonas. Teófilo, finíssimo de nascença. Chico Whitaker ainda prega, incansável como os santos. Suplicy pratica Dostoievski no PT. Modesto é um Cicero no deserto inculto. Cícero Sandroni é um príncipe florentino na academia machadiana. Serra é o filho pródigo da ternura, mantém a espada. José Osório é um juiz, não precisou inventar a lava jato. Os Francinha não precisam pedir perdão. As mulheres, Marieta, Maria Olímpia, Margarida, Vera Cecilia, Sstela, Lucia Dutra, Anna Helena, Silvinha, Gilda Portugal, Laura; ora de Atenas, ora troianas, são guerreiras, do véu ao biquíni.

Quem, neste 2017, pode começar um ano tão bem cercado?

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo