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24/02/2017 - 23:28

A LÓGICA DA PINGUELA (4)

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Não se pode entender uma nomeação como a do novo ministro da Justiça. Temer nomeia qualquer um, sem dar a menor bola para a opinião pública. Perde com a maior tranquilidade um ministro com a força política de Serra. Mantém alguns companheiros que melhor estariam situados nas grades oferecidas pela lava Jato.

Isso tudo é uma opção que Temer fez pela economia de ajuste fiscal, canonizada pelo establishment,  executada por Henrique Meirelles, e que precisa dos votos, não importando o baixo nível dos deputados ou senadores votantes.

Depois de todas as propostas estarem bem votadas, com a reforma econômica consolidada, a Lava Jato  continuará denunciando cada um dos aquinhoados e Temer lavará as mãos na pia batismal do PMDB, demitindo um por vez.

Pois é assim que Temer pretende entrar para a Historia, se a justiça eleitoral permitir.

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23/02/2017 - 08:37

ALEXANDRE – O GRANDE

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O debate em torno da escolha e nomeação de Alexandre Moraes para o Supremo tem sido tão apenas político quanto sua indicação. Neste planeta tudo é politico e confessional. Conheço poucos candidatos a ministro do Supremo que não sejam filiados ou simpatizantes de algum partido. Se for ministro de um governo, claro que deve ser fiel ao governo que serve. Assim, em condições de probidade e notório saber, segundo a constituição, qualquer um deles pode ser escolhido ministro, independentemente de ser bom ou viciado o fato que a indicação seja feita pelo presidente e não por outra forma mais democrática.

Importante é considerar se o ministro tem o peso moral para ocupar essa função.

Na função, um ministro não pode mais ser confessional e também não pode ter simpatias partidárias ou relações afetivas comprometedoras. Agora ele é ministro vitalício do Supremo, com toda a independência que a lei lhe confere.

A verdade é que o Supremo melhora a qualidade de seus membros. Não há epitáfios negativos de ex-ministros. A sociedade os conhece e acompanha seus atos. É o nobre fim de uma carreira de juiz, advogado, promotor ou simples jurista. Os debates e julgamentos exigem analises profundas e circunstâncias sociais. Claro que há maus juízes, muito poucos, que se deixam levar pelo ego ou pelo afeto a antigas vizinhanças, mas a maioria deles melhora muito no supremo. Nós desconfiamos das nomeações de Lula e Dilma, hoje somos fãs de carteirinha finado Zavascki e do Fachin.

Já os outros poderes empobrecem seus titulares. No legislativo você entra como um jovem idealista de uma cidade do interior que o elegeu, mas no decurso do mandato torna-se candidato ao Lava Jato. Dezenas de assessores. Carros de luxo. Viagens de sonho. Apartamento funcional. E a cooptação pelos governos. O sonho de ser ministro. É a carreira mais adequada para se chegar ao Bangu 2. No Executivo você entra com o voto popular. Tem legitimidade. Manda. Assina. Nomeia. Controla o desajuste fiscal. O Executivo no Brasil é o caminho certo para a desmoralização pessoal a partir da corrupção institucionalizada.

A política não é responsável por isso. Responsáveis são os políticos que transformam a coisa pública em coisa própria.

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20/02/2017 - 15:50

FAUSTO DE GOETHE

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Imerso, Terminei a leitura da segunda parte do Fausto, narrativa dialética da entrega do espirito humano em troca da fruição do poder terreno, prometida por Mefistófeles. Mas nem na mais completa abjeção a alma se esquece da alma, pois não há vitória torpe que se acomode nas consequências. No Fausto não há orgia sem incêndios, nem inflação sem danos.

Mefistófeles é o filosofo da promessa indigna, enquanto Fausto é apenas um homem, no seu percurso. Seduzido como seria qualquer anjo se não fosse a lição da queda.

São mil páginas de versos clássicos, românticos proféticos, com cada métrica adequada à intenção do discurso, seja o que tenta, o que condena e o que redime. Nada é espontâneo em Goethe. Tudo advém de uma escolha rigorosamente cultural e moral.

Afinal, Fausto é o triunfo da morte sobre a armação.

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14/02/2017 - 17:09

ORQUESTRA SINFÔNICA DA IMPUNIDADE (OSIP)

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A cúpula política do Brasil montou a OSIP, Orquestra Sinfônica da Impunidade. Em uma semana, os altos cargos da nação, estão sendo ocupados por indiciados pela Lava Jato, candidatos ao indiciamento ou pessoas inapetentes ao comportamento de Curitiba. Senador Lobão é escolhido para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, pela qual passa tudo o que é importante. Um lobo solto no galinheiro. Alexandre de Moraes, ligado a Temer, é indicado para o Supremo, contra a vontade unanime de quem sai na rua. O Senador Eunício é eleito presidente do Senado e Rodrigo Maia, da Câmara, para regerem o naipe de trombetas. Moreira Franco vira ministro para salvar a pele de cordeiro. O ministro da justiça será do PMDB, provavelmente advogado dos indiciados. Cada indicação favorece uma ousadia contra a lava jato. Na cúpula há a certeza de que o poder haverá de protege-los, contra Cicero, Seneca e Moro. Serão uns caras de pau esses indicaciados? Mais que isso, fazem parte do autismo político que rege a orquestra. Ainda não leram a partitura da justiça, que todos os dias indicia, julga e condena um personagem novo. No fundo da sala, a claque envergonhada aplaude a OSIP.

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09/02/2017 - 17:03

CRÔNICA DE UMA GUERRA IGNORADA

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O Brasil está em guerra. Uma guerra burocrática, social e patética. Cruzam no campo de batalha cifras milionárias de corruptos, com reivindicações temerárias, no fundo do poço.

Numa guerra não há dialogo entre quem trabalha, quem só ganha e quem atrapalha.

No geral 12 milhões de desempregados, o que significa, no mínimo, 30 milhões de familiares , o que soma 20% de todos os brasileiros.

No Espirito Santo, pessoa da santíssima trindade transformada em pranto, policiais pedem cem por cento. Suas mulheres fazem piquete, no domicilio e nos quartéis. Na cidade abandonada, medo, pilhagem e assassinatos. 100 pessoas foram mortas em apenas seis dias. Uma cidade alegre se transforma em campo de batalha. No meio da noite, um caminhão de som, toca Imagine, de John Lennon, a lembrar que existe a esperança. Um cidadão arrependido, que participou da pilhagem vai à delegacia devolver os produtos roubados num saque.

No Rio de Janeiro, literalmente falido, por incompetência e corrupção, busca-se um empréstimo condicionado, que os funcionários não aceitam. Nesse texto sem contexto, bem longe dos dias alegres das Olimpíadas e do Carnaval que se aproxima, ninguém vai receber salario, para comer, comprar remédios ou uma simples máscara do Trump. Muito menos para mascaras contra gás lacrimogêneo.

Uma guerra triste e difícil, pois do Brasil contra o Brasil. Difícil porque não há um alvo onde prevaleça o bem comum. Instituições e pessoas só pensam no bem próprio. Triste, porque as lideranças não estão a altura de suas funções e muito menos do Brasil.

Por certo temos que rezar para o Espirito Santo. Mas em pé, nas ruas, atentos aos mandos e aos desmandos, para que a guerra não se transforme num vazio sem solução.

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07/02/2017 - 11:51

ALEXANDRE DE MORAES

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Desde a vacância no Supremo, Temer tinha já um preferido para o cargo: Alexandre de Moraes. Bobagem a Folha dizer que o presidente atendeu a pressões. Nomeou porque era o que ele queria, uma indicação facilitada pelo sorteio do Ministro Fachin para comandar a Lava Jato. Se tivesse que julgar o Lava Jato, qualquer ministro indicado poderia ser suspeito.

Alexandre tem uma longa carreira em cargos públicos, é professor, e , além disso, um constitucionalista, com livros e teses publicadas. Tem qualificações técnicas, o apoio de diversos partidos e, assim, deverá ser aprovado pelo Senado.

Ao que se percebe, o problema de Alexandre, é sua posição extremamente conservadora em questões econômicas, sociais e políticas, aliás, as mesmas adotadas e a serem adotadas no Brasil para a superação da crise.

Nesse sentido, sua indicação casa com os posicionamentos do governo Temer. Se a eleição dos presidentes do Senado e da Câmara já ajudarão Temer, a escolha de Alexandre colocará na mais alta instancia da justiça um afim. Isso não quer dizer um aliado, pois os membros do Supremo não podem ser aliados de ninguém.

Confesso que prefiro um conservador honesto do que um progressista corrupto.

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02/02/2017 - 22:02

DONA MARISA

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Em nenhuma circunstancia, nesta vida, devemos confundir a dor com o ardor político.

Não se condoer com a morte de d. Marisa, esposa de Lula, é uma completa falta de sentimentos. Marisa é uma pessoa humana que viveu em suas últimas manifestações de vida, um estado de absoluto sofrimento. Sofrimento dela, bordou a estrela na bandeira do PT, de Lula, de quem foi uma leal companheira nos altos e nas agruras de sua historia, de seus parentes e de todos os amigos.

Somos solidários a dor de todos eles, como deveríamos ser de todos os que conhecem os desígnios da condição humana.

Em qualquer circunstância, acho imoral, tirar o sofrimento de seu contexto, e utilizá-lo como plataforma política de acusação a quem quer que seja. A morte é o único fato para o qual só há explicações médicas. Seu significado transcende de muito a nossa modesta compreensão.

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30/01/2017 - 18:20

EIKE E O CONTEXTO

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O contexto é mais sutil do que o texto. Por isso mesmo, gosto de percorrer os aspectos paralelos aos acontecimentos.

Há uns dez anos, importante seria dizer; – Eu conheço o Eike, – Eu vou almoçar com o Eike, -Eu tenho um negocio do Eike, ou até mesmo, para os [íntimos: – Meu banco emprestou 300 milhões para o Eike.

Eike, entre os mais ricos do mundo, pretendendo-se ser o maior entre eles, era exaltado por empresários, banqueiros e governantes.

Hoje , com seu passaporte alemão, andou sendo caçado pela Interpol. Perdeu, na mais humilhante circunstancia, a peruca reluzente, caju, como a de Trump.

 

Assustou-me o mau gosto de Eike quando a TV exibiu sua mansão no rio de janeiro. Parecia um quartel azul debotado. Sem qualquer arquitetura, num país com arquitetos notáveis. A única estética da casa, são os Porches, sempre belos, não importa se para ricos, novos-ricos ou aventureiros.

 

Paira, nas sombra do império, sua ex-esposa Luma, único troféu sem preço, mãe dos filhos.

 

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26/01/2017 - 13:20

DORIA E O GRAFITE

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Continuo a entender que pixador é um borrador de paredes. Assim, a prefeitura poderia apagar todos aqueles símbolos que degradam a cara da cidade.

Isso não tem nada a ver com grafiteiros. Grafiteiros são artistas urbanos que ocupam os espaços vazios dos muros e das empenas com seus desenhos ou pinturas.

Fruto do impasse da pintura sobre tela do fim do século passado, as instalações, a pintura digital e o grafite, ocuparam o lugar da pintura convencional nas galerias, nas bienais e nas ruas.

Os três formatos não têm muita facilidade de acampar no mercado comercial da arte. Não são objetos que se guardam no egoísmo das coleções particulares e não têm a perenidade necessária ao resguardo de um museu. Alguns instaladores conseguiram superar as restrições do mercado com sua genialidade, mas são raros. Os artistas afeitos à linguagem digital estão a busca de um nicho mais estável no coração dos colecionadores. Já os grafiteiros são encomendados por varias cidades do mundo e se notabilizaram.

Alguns grafites pintados em muros e empenas de algumas cidades do mundo tornaram-se atração turística e citação estética.

Nenhum prefeito pode arbitrar-se em curador dessas obras. Devem ser apreciadas pelo tempo, pelos críticos e pelo gosto popular.

Doria precisa urgentemente distinguir as duas coisas, a pixação predatória e a arte popular. O cinza que colocou sobre os muros da Vinte e Três de Maio é tão triste quanto o próprio cinza.

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25/01/2017 - 18:55

TEMER NUM CONTO POLICIAL

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Temer continua o personagem aleatório de um conto policial: o Brasil. Veste-se com mesóclises, fala como um professor erudito, conhece a lei maior e os hábitos menores, que constituem o longo percurso de qualquer político brasileiro.

Já Dilma, tão ingênua quanto a Efigênia da tragédia, preparou a própria cova no meio do conto mas ninguém sabe ao certo quem empurrou o corpo. Sabe-se quem ficou com os despojos.

Será que os detetives de plantão, sempre presentes, não percebem quem são os criminosos no gabinete do Dr. Caligari? A penitenciaria é sempre o fim de um conto policial, no Brasil é um pano de fundo, é o quartel general das facções criminosas, tudo custeado pelo estado, que paga hospedagem, pessoal e telecomunicação, inclusive aos parentes, do lado de fora, mas o governo nada vê, nada escuta, porque a ordem será sempre mantida.

Nesse conto, mal escrito pela historia, ainda não ficou claro que o Supremo Tribunal Federal não é cargo de confiança do presidente e que economia não é apenas a macro economia, são principalmente as micro providências. Infelizmente, as causas estruturais são secundarias nos contos policiais.

O personagem mais interessante do nosso conto não é o herói, representado por Moro, juiz de primeira instancia, é Marcelo Odebrecht, que na Grécia seria um filósofo estoico, mas no Brasil é um empreiteiro ascético na academia da lama.

Num conto policial clássico, o mais difícil é encontrar o culpado, mas no Brasil são tantos, que o mais difícil é encontrar um inocente.

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