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16/08/2017 - 12:16

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ROSA DOS VENTOS

Num só dia, terça feira, enquanto estou lançando um livro de poesias, a Policia Federal lançou quatro operações com centenas de mandatos de prisão, buscas e apreensões de prefeitos, governadores, funcionários, empresários, legisladores, acusados de participarem em esquemas criminosos do mais amplo espectro. Poeticamente, uma das operações denomina-se ROSA DOS VENTOS.

O que se constata no Brasil não é um poço sem fundos de corrupção e corruptos, mas uma superfície de corrupção sem fronteiras, que fere a nação como uma epidemia.

Epidemia se cura com medidas drásticas de cura e de prevenção. Contrariamente a essa terapia, as medidas eleitorais em transito no Congresso, chamadas reformas políticas, são apenas medidas ridículas, para garantir a manutenção dos mesmos deputados e senadores.

Não há aperfeiçoamento das eleições, dos partidos políticos, do financiamento eleitoral. Essa reforma política constitui um escárnio que se desenvolve em plena crise, com um descaramento sem precedentes. Com essa reforma a epidemia continuará a mesma.

Essa reforma devia ser incluída nas operações da Policia Federal. Não é uma reforma, é um caso de polícia.

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14/08/2017 - 18:20

MEU MANIFESTO: TROIA/CANUDOS

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Quando eu tinha treze anos, os professores do São Bento nos pediram um trabalho sobre TROIA. Meu pai, mais versado nos Sertões, de Euclides, recomendou-me que procurasse tio Frederico, erudito nos clássicos e tradutor de Shakespeare. Fui lá e durante três meses tio Fred sentou-me em frente de um Google da época ( a Enciclopédia Britânica) e debulhamos as nove camadas de Tróia durante três meses.

Entreguei minha obra aos padres, tirei boa nota com elogios, e não sei onde está meu primeiro ensaio. Sobrou-me na memória um prefacio que redigi e está no livro TROIA/CANUDOS, da Editora de poesias LARANJA ORIGINAL, que lanço hoje na LIVRARIA CULTURA da Paulista, a partir das 19 hs. “cerco que inspirou todos os cercos demais da historia, até a nossa infeliz Canudos, a Troia de taipas”.

 A vida é feita de descobertas, oportunidades e perdas. Tudo isso ao mesmo tempo. Minhas primeiras oportunidades começaram cedo. Aproveitei-as para mergulhar nos ideais, no conhecimento e nas descobertas. Quatro autores marcaram minhas descobertas, os poetas Rilke e Carlos Drummond, e dois romancistas: Thomas Man e Dostoievski. Por influencia de Montoro e do companheirismo de Plínio de Arruda Sampaio, vieram as oportunidades políticas: governo Carvalho Pinto. No meio do caminho fui poeta, com três livros, fui colunista de jornal, , diretor de jornal e de revista, domei-me em duas secretarias de estado, e mergulhei na comunicação, presidindo a TV Gazeta e a TV Cultura.

Infiel, fiquei 40 anos sem publicar poesia. As poesias que recolhi desses tempos de oportunidades foram roubadas por um ladrão elegante, de motocicleta, e assim entrei nos setenta e cinco anos sem uma poesia no bolso. Sem o meu LAP TOP, sem as joias de minha mãe e sem a coleção de caneta de meu pai, pensei resoluto:

Poesia não se reescreve. Poesia não é inspiração. Poesia é percepção, é uma percepção qualificada dos fenômenos da vida. Decidi reservar todas as manhãs para dedicar-me à literatura, fazendo ensaios e escrevendo poesias. Qual um pintor diante de uma tela em branco. Trabalhei durante dez anos. Lembrei-me da sétima camada, que era de Tróia, Lembrei-me dos Sertões de Euclides, a mais bela reportagem jamais escrita. Percebi as pedras coladas de Machu Pichu e minhas andanças pelo mundo. Não entrei na casa de Frida Kahlo, pois era feriado mexicano, mas descrevi-a e às demais circunstancias desta vida, onde não pudemos entrar, como desejos que não provamos. Só consegui escrever algumas poesias em espanhol, língua que propõe os detalhes antes mesmo dos acontecimentos. Fiz minha poética aos oitenta anos. Meu manifesto: TROIA/CANUDOS.

 

 

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07/08/2017 - 16:26

DUAS MORTES: ARTUR E MELODIA

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A morte de Artur

Na calma do primeiro acampamento, Artur luzia. É morno o abrigo do ventre, um nadador no ventre de sua mãe. Precisa nascer, e nascer é a primeira liberdade.

Contudo, um projetil de chumbo treme na mão de um pagão. O ódio confere o pregão do ódio. Atravessa o espaço da vida, cruza janelas, cruza a avenida, fura a parede de um ventre inocente. Penetra o ombro de um infante nascente, que se torna naufrago antes mesmo de ser gente. Nem o amor, nem o parto foram maiores do que o fato. Artur, agora, nada no vácuo, ainda maior do que o nada. Nesse escuro a criança não chora. O pequeno Artur não percebe nada. Agora ele é o pequeno Artur baleado de Duque de Caxias.

A morte de Melodia

Luiz Melodia perdeu muitas paradas em sua vida, desde que ofertou uma pérola negra ao universo nacional da música. Cresceu na ostra da coerência, essa perola de infância. Viveu entre a glória e o recato, sobretudo, quando as editoras exigiam que ele traísse a melodia em favor do mercado. Basta abrir os ouvidos a algumas de suas obras, para sentir o grande artista que o câncer nos leva aos 66 anos.

No Estácio e do Estácio, Melodia sobrevive, totem de raça e graça.

 

 

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21/07/2017 - 11:18

A SENTENÇA DE MORO

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O juiz Moro produziu uma narrativa muito original para condenar Lula. Não se ateve aos artigos da lei penal que todo estudante conhece. Produziu uma narrativa dos fatos, como se contasse uma história: a poesia épica da corrupção no Brasil.

Sua historia é suficiente para conferir todo o mal produzido por governanças de composição, nas quais cada escalão barganha o serviço com a propina e o interesse pessoal com a participação nos lucros.

A sentença de Moro serve para todos os denunciados, pois são todos iguais. Jefferson é igual a José Roberto que é igual a Marcos Valério, que é igual a José Dirceu, que é igual a Palloci, que é igual a Mantega, que é igual a Lores, que é igual a Aécio, que é igual a Gedel, que é iguala Temer, que é igual a Cunha, que é igual a Lula, que não se acha igual a ninguém.

Moro os iguala, TODOS, pois crime é crime e não há, segundo a Constituição, mandarins no código penal. Há uma prova geral, o volume do roubo, em bolsos, cuecas, contas no exterior, off shores, provadas, mas que, valha-me deus, não pertencem a ninguém, com não pertencem carros, iates, apartamentos e outros ativos.

Não deliro, mas creio que da mesma forma que houve uma anistia geral, para parir a democracia, a fórceps, no fim do regime militar, se poderia adotar uma condenação geral, para que se possa parir uma nova democracia, liberada de todos os indiciados e capaz de revelar uma nova safra de políticos, honestos, estadistas e competentes, para os quais o bem público seja maior do que o interesse pessoal, em 2018.

A sentença de Moro, com mais de 200 páginas, não é a condenação de Lula, é a condenação de um sistema, de uma quadrilha inteira. O triplex, embora pertença claramente a alguém, porque não ha vácuo na propriedade, é uma metáfora do Mensalão e da Lava Jato.

Por isso mesmo é uma narrativa clássica e não um mero comentário como a literatura e o jornalismo contemporâneos.

 

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17/07/2017 - 10:50

UM POSTER PARA BRASILIA

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Não precisamos de santos, precisamos de estadistas.

Não precisamos de bancadas, precisamos de partidos.

Não precisamos de pronunciamentos, precisamos de programas.

Não precisamos de ódio, precisamos de diálogo.

Não precisamos de vices, precisamos de governo.

Não precisamos de ordem nem de progresso, precisamos de uma bandeira.

Não precisamos deles, precisamos de você.

E mesmo no meio do túnel, se não houvesse roubalheira, 30% de um orçamento de um trilhão , seriam utilizados em favor dos pagadores de impostos.

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15/07/2017 - 17:41

SEMANA DE 10 DE JULHO A 15 DE JULHO (SÁBADO)

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TERRA EM TRANSE

 “In dubio pro réu”, proclama MARIZ, advogado de Temer.

“in dubio pro societate”, proclama Sergio SVEITER, deputado do PMDB.

RELATÓRIO SVEITER condena Temer

CCJ muda seus membros e derruba relatório de SVEITER

 CAMARA agenda para agosto julgamento de denuncia de TEMER.

 No túmulo de Napoleão, TRUMP informa MACRON que Estados Unidos pode rever apoio ao acordo do CLIMA.

 EX PRESIDENTE do PERU é preso por ilações de contatos corruptos com a ODEBRECHT.

 SAO PAULO e RIO continuam matando mais, em um dia, do que qualquer guerra. Quatro mil policiais concursados não tomam posse devido a FALTA DE VERBAS. Só há verbas para COMPRAR DEPUTADOS.

MORO condena LULA a 9 anos por causa do TRIPLEX, em sentença de 216 páginas, mas por enquanto, LULA fica em casa, discursa no partido e se candidata a presidente.

DEPUTADO ABI ACKEL, DO PSDB , CONDENA JANOT E ABSOLVE TEMER.

 96% do povo brasileiro condena TEMER.

A UNICA INDUSTRIA BRASILEIRA QUE VAI BEM É A DA BLINDAGEM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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08/07/2017 - 17:02

LEALDADE À VISTA

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A lealdade é uma virtude cavalheiresca, do tempo de Cervantes. D. Quixote, o Homem da Mancha, no musical ou no original, era um homem leal.

Mas o vocábulo continuou em moda pelos tempos afora, sobretudo nos acordos políticos, sempre realizados entre homens leais. Dos governantes, que honram seus compromissos de campanha, dos deputados que não transigem com suas promessas e dos políticos que morrem fieis ao que pensam.

Significação habitual do adjetivo feminino, LEALDADE: respeito aos compromissos assumidos. Honra, fidelidade, segundo o Aurélio.

Para uma criança em idade escolar, que deseja aprender o que é lealdade, basta deixá-la assistir qualquer noticiário polÍtico de televisão, radio ou ler o jornal do dia.

Perceberá logo o significado da palavra, no comportamento dos governantes, que honram suas promessas de campanha, em cada ato de seus governos. Basta acompanhar os julgamentos do Supremo, quando condena os políticos por terem sido fieis aos financiadores de suas campanhas. Basta se fixar no conceito de fidelidade partidária, praticada pelos militantes, mesmo quando seus partidos são alijados do poder, para compreender o vocábulo.

Assim, o próximo grande ato de fidelidade, que a historia nos haverá de ensinar, será a de Rodrigo Maia por seu companheiro e tutor Michel Temer. Maia não deve tudo ao seu tutor, pois boa parte deve ao know how familiar, mas suas posições atuais, inclusive tornar-se o primeiro na linha de sucessão, deve ao Temer e outros leais companheiros, como Eduardo Cunha.

Posso estar errado nas minhas previsões e no conceito que adoto de lealdade. Se não der isso, que prevejo, vou consultar o Houais.

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02/07/2017 - 15:21

resumo da semana de 25 a 30 de junho de 2017

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RESUMO DA SEMANA DE 25 A 30 DE JUNHO DE 2017

Terra em transe:

 Cardápio de segunda a quarta: FACHIN continua relator, DELAÇÃO PREMIADA ganha reforço, mas um brecha permitirá revisão em casos especiais.

REFORMA TRABALHISTA caminha com chances de ser finalmente aprovada.

Rinha de galo: TEMER E JANOT se defrontam sem cerimônias. Provas, delações e gravações são transformadas pela defesa em ficção, ilação e vingança.

Delação, ficção ou vingança , o processo segue para o SENADO, seguindo um ritual que não existe, por inédito. Isto é, nunca um presidente foi denunciado diretamente pelo PGR.

Nas BOLSA DE APOSTAS de Londres, a aposta não é saber se a denuncia será aceita ou não pelos senadores, mas QUANTO VAI CUSTAR cada voto.

Quando a POLICIA protege o tráfico, como em SÃO GONÇALO no Rio de Janeiro, o número de homicídios se multiplica por dez.

AÉCIO volta ao Senado por decisão de MARCO AURÉLIO, do STF, sob argumento que tribunal não pode cassar mandato em outro poder. Esqueceram disso quando tiraram o mandato de Eduardo Cunha.

O carregador de malas de Temer, ROCHA LORES vai passar o recesso em casa, para alegria da família e do próprio Temer que temia uma delação antes do recesso.

 Mundo, mundo:

O CORINGA da Casa Branca ameaça: Já estou de saco cheio com a Síria e a Coreia do Norte. Em estado normal TRUMP já é um perigo, nesse estado emocional, nem o PAPA segura. Em tempo: ele também está de saco cheio com o IRAN.

MACRON joga xadrez melhor que os russos, leva PUTIN para Versalhes e se encontra com TRUMP no 4 de julho.

O SUPREMO da Venezuela foi atacado por um herói solitário, em helicóptero emprestado. Só mesmo na América Latina.

A CHINA continua aproveitando a liquidação de inverno no Brasil. Agora foi uma importante financeira, a RIO VERDE.

NESTA SEMANA, EM TODAS AS GUERRAS, DO MUNDO, AFEGANISTÃO, SÍRIA, ETC, MORREU MENOS GENTE DO QUE NA VIOLÊNCIA BRASILEIRA.

 

 

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01/07/2017 - 15:39

GLORINHA KALIL & CLARA BACCARIN

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Nesta mesma semana, no mesmo dia, na mesma hora, fui a dois lançamentos de livro. Um de Glorinha Kalil: Chic Profissional e outro de Clara Baccarin: Vibração e Descompasso.

Glorinha nos mostra como homem ou mulher devem situar-se neste mundo real e marcado pelo mercado. Clara nos mostra como se dessituar neste mundo aberto ao sonho e às surpresas.

Glorinha é jornalista, desde os tempos gloriosos da editora Abril. Criadora e empreendedora, foi industrial, lançando no Brasil a mitológica marca FIORUCI. Na época, um empresário menos ousado e mais cínico vaticinou: – No Brasil é melhor apostar no overnight do que trabalhar. Gloria hoje tem um blog famoso, dá palestras em dezenas de cidades deste país e já lançou cinco livros CHIC, best-sellers com sucessivas reedições. É muito bonita e sua escrita é impecável.

Clara Baccarin, completamente de outra geração, nasceu no interior, mora numa pequena comunidade na Serra da Mantiqueira, formou-se em letras em Araraquara, onde lecionou Antônio Cândido. É poeta e divulgora em mídias. Lançou três livros: Castelos Tropicais, Lavar a Alma e agora, o Vibração e Descompasso, prosa poética e existencial. É muito bonita a sua escrita é impecável.

Enquanto Gloria dá o ponto para o seu leitor não fazer gafes em viagens, não se atrapalhar numa entrevista de emprego, não ser gauche na vida, na hora do ora veja ou ser feliz com o pão que o diabo amassou, Clara recomenda que ninguém se leve muito a serio, quando você se fecha, se protege do que é bom ou minha alma não tem CPF.

É incrível que numa semana de absoluto deboche político, duas escritoras mulheres, nos alimentem com a beleza da diversidade. Ser poeta, afinal, é ser chic na alma.

 

 

 

 

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23/06/2017 - 10:05

A TRAGÉDIA MORA AO LADO

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Quando saio de meu belo apartamento na Peixoto Gomide, e me dirijo para a Paulista, cruzo todos os dias com um travesti alto, já meio desbotado, sem a exuberância da maquiagem noturna.

Vive com um companheiro e passam o mais do tempo sob um ralo cobertor, pois dormem de dia, qual outros moradores de rua.

Abrigam-se há muito tempo sob a marquise lateral da Loja Marisa, na Peixoto, entre dois grandes vasos de cimento, já sem flores. Um deles foi transformado num fogão, no qual nunca vi qualquer panela que não fosse de feijão com arroz, de que o travesti se incumbe.

Cumprimento-o quando passo e recebo o retorno de um leve movimentar de cabeça, sem sorriso.

De dia, naquele oficio singelo, vejo os restos pálidos de uma decoração fúnebre. A gloria eventual daquele rosto parece estar perdida num passado remoto ou numa noitada de glória.

A última vez que os vi, estavam cercados por dois guardas, que pediam informações e documentos. Parei, num instinto de proteção, mas percebi que a inquirição era delicada e respeitosa.

Hoje de manhã, Maria, que cuida de mim, de meus filhos e netos há mais de cinquenta anos, contou-me que ela morreu ha uns três dias. Contou-me que ela fora levada a um hospital onde não resistiu à pneumonia e à desproteção orgânica do HIV.

Soube ainda que um irmão, do Paraná, veio de avião buscar o corpo do filho pródigo que, com 17 anos saiu de casa para a liberdade das ruas, da droga e do sexo.

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