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22/04/2017 - 13:23

O JOIO E A SOJA

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Só a Justiça poderá separar finalmente o joio da soja. São tantas as delações e os detalhes em vídeos constrangedores que só escaparam os homens sem importância. .Para nós, cidadãos, sobrou o enredo e o cenário. Como avaliar os personagens? A evidência dos fatos é tal, que só um espirito de má fé ou completa obsessão partidária poderia por dúvida no acontecido.

Mas, temos amigos e correligionários que gostaríamos de preservar. Isso, pela amizade, ora avaliações pessoais do caráter ou mesmo pela biografia aparente, que ostentaram perante a sociedade.

Há raras exceções, que estão no bolo porque a bola sempre passa perto da trave de quem está no poder.

Uns, pendurados, buscam a blindagem. Alguns esperam limpar a barra. Outros, no poder, buscam salvar a economia e a pele com as receitas do FMI. Outros se regozijam com a desgraça do poder. Os mais fatalistas apostam no tempo, mãe da verdade, como costumava afirmar Collor, e com razão. O cidadão sofrido com a pobreza, a descriminação, espoliação e uma qualidade inferior como ser social, tem até o direito de querer a vingança.

Uma silenciosa maioria, até agora silenciosa, acredita na democracia, na liberdade, aguarda com esperança a decisão da justiça. A justiça para punir os crimes. A substituição do sistema para resolver a política, com a completa substituição dos protagonistas no poder. Quanto à política essa minoria exige uma substituição do poder. E só isso vai separar o joio da soja.

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15/04/2017 - 23:20

A PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO

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Ressurreição conclui condenação, flagelo e morte. Não é um presente gratuito da continuidade. Nem é o passo concluído da evolução da espécie. Ressurreição só se entende pelo absurdo da fé.

É o mistério mais complexo de um evangelho cheio de simplicidades.

Tudo no evangelho é singelo como uma parábola, núpcias,nascimentos, milagres, sermões, vigílias, jejuns, pedras atiradas e recolhidas, água transformada em vinho. Tudo no evangelho é o amigo. Um cara terrível que pregava o amor. E quando lhe perguntavam respondia: Eu sou o caminho e a luz. Na Montanha, quando se esperava um discurso grego, dizia: Bem aventurados os pobres de espirito. Acolhia os leprosos, os pobres e as prostitutas como convidados de honra ao piquenique da salvação. No Templo, em vez de se ajoelhar bonitinho, espancava gatunos e agiotas. Queriam um rei e ele respondia: Meu reino não é deste mundo.

Ressurreição é o começo do outro lado da história. É passagem. Vivos, não chegamos a compreender esse lado oculto do mistério. Então, comemos ovos de páscoa.

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13/04/2017 - 11:11

TRES MOMENTOS PARA SEREM ESQUECIDOS

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Em três momentos o Brasil me pareceu tristemente ridículo:

Quando os deputados declaram seus votos no impeachment.

Quando a Odebrecht publicou o apelido dos políticos corruptos.

Quando Emilio Odebrecht disse ao então presidente Lula:

“ -Seu pessoal está com a goela muito aberta ”.

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05/04/2017 - 11:12

JOSÉ MEYER A IMAGEM DE SEUS PERSONAGENS

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Os atores de televisão, assim como os telespectadores de novelas, acabam por se confundirem com a própria ficção e seus personagens. Isso tem levado alguns candidatos a marginal, a se utilizarem dos enredos e ensinamentos das novelas para praticarem crimes mais aperfeiçoados. Não são poucos os maus costumes adotados pela sociedade por influência da televisão.

As brincadeiras desrespeitosas praticadas pelo famoso ator José Meyer, da Globo, em camarins de seus estúdios, com uma colega de trabalho, constituem delitos bem menores do que os praticados por seu personagem em A Força do Amor, sua última novela.

Isso, é claro, não justifica nem diminui o ato, mas explica um pouco como a realidade é estimulada pelas novelas. Um excelente ator, casado, com família estável, acaba por não perder a oportunidade de ser machista e ofender diretamente uma colega. Isso não seria concebível não vivêssemos num mundo marcado pelo estrelismo, que confere às estrelas uma impunidade moral maior do que a conferida ao comum dos mortais.

Escrevo essas observações para mostrar como todos nós, hoje, somos inocentes uteis de roteiros que não escrevemos.

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02/04/2017 - 16:59

MELHOR ABRIR O LISTÃO

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Melhor abrir as listas com todos os delatados do que permitir que elas vazem segundo os interesses. Sabemos todos que partidos e bancadas mereceram citações eloquentes de delatores. A justiça, após as devidas investigações, julgará quem praticou seu crime, no caixa um, no caixa dois ou diretamente no caixa internacional da Odebrecht. Os privilegiados pelo foro do mesmo nome serão julgados pelo Supremo, que não pode mais eternizar o julgamento a pretexto de congestionamento processual. Os outros irão para a justiça comum, que tem sido mais célere e enérgica. Não me venha ninguém com o pretexto que a prática tão ampla da justiça vai fechar a nação. O que fecha uma nação é a impunidade.

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28/03/2017 - 13:16

DIÁLOGO NUM JANTAR PAULISTANO

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– A economia neoliberal, da direita, adotada pelos governos e pela mídia, garante a estabilidade dos ricos rentistas, nunca dos pobres.

– A mídia e os economistas afirmam o contrario: – Se não salvarmos o sistema os pobres nunca terão vez.

– Mas desde a crise de 2008 só estão salvando o sistema.

– E no Brasil, a esquerda de Dilma desorganizou as contas, os juros, o cambio, promoveu desemprego e a falência econômica do pais.

– E o avanço social promovido pelo PT?

-Foi tão bom que no segundo mandato ela adotou o neoliberalismo. Levy acentuou o desastre e derrubou a presidenta.

– Afinal, tem saída? – Sem dúvida.

– Basta pisar no acelerador do neoliberalismo como faz Temer, Macri, a Coreia, Singapura, o Vietnã e a Europa e até a China.

– Mas a Argentina já dançou, o Vietnã está uma droga e a Europa não sai do lugar.

– Então voltemos ao estatismo desenvolvimentista da Russia. Pô.

– Infelizmente, o que desponta no horizonte é um populismo de direita, de cunho ultra nacionalista: Trump, Brexit, Marine le Pen.

-Mas também  há intelectuais de respeito que continuam sonhando com o paraíso socialista, no PT, na Venezuela, no Equador e na Bolívia.

– Mas tem o André Lara Rezende, do MIT, que destruiu o mito do juros salvador da inflação.

– E o Bresser, ave solitária no pensamento macro econômico brasileiro, que pensa o contrario de tudo isso.

-Mas o Bresser não é muito otimista, afirma que o nosso ciclo de desenvolvimento parou a partir de 1990, com a abertura neoliberal.

– Porque então a maioria dos comentaristas econômicos estão a favor das medidas econômicas?

– Porque são funcionários do sistema financeiro.

– Tem razão o FHC ao dizer que o sistema está esgotado.

No referido jantar só evitou-se a indigestão porque o vinho era muito bom.

 

 

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26/03/2017 - 11:14

MEMÓRIAS – MELHOR AULA DE FHC

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Ainda não acabei o terceiro volume, mas acompanhei a repercussão e entrevistas dadas pelo ex-presidente. Pelo primeiro e pelo segundo volume, que li, já podemos dizer que se trata de leitura fundamental para quem quer entender o Brasil político no qual vivemos.

Toda biografia escrita muito depois sempre se apaga na pátina de uma intenção depuradora da historia, seja a de redação própria ou alheia. Ao gravar tudo simultaneamente aos acontecimentos e reproduzi-las na íntegra para edição, nessas memorias de FHC você sente os passos e a poeira produzidos pelo cotidiano de um governante, em pleno exercício do poder. Não falta nada, muito menos a ironia que FHC percebe nos comportamentos produzidos pela sintaxe palaciana, tanto para o chefe de estado quanto para os que o rodeiam ou o procuram com interesses angélicos ou escusos. Mostra que uma decisão de governante sai do corpo inteiro, emoção e razão.

Fernando sempre gostou de jogar pôquer com os amigos, mas o faz por prazer. Na politica, creio que Fernando joga para ganhar. Desde a USP nunca gostou de perder na política. Por isso mesmo, no primeiro volume você percebe que o governante quer ganhar apenas com seus ideias, no decurso ele precisa ganhar com a conjuntura. No terceiro volume a conjuntura parece mais gulosa. Ambos os protagonistas se conhecem mais, o governante, os partidos, os deputados e até os ministros, escolhidos para viabilizar a governança.

Sobra o que vale para a historia de nós todos políticos, principalmente para a dos que galgaram essa posição máxima de presidente: ou você mantem um pacto com a nação ou prefere um pacto apenas com o poder.

Creio que a opção de FHC foi pelo Brasil, e como conseguir isso é a grande lição dessas memórias.

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20/03/2017 - 14:57

VOCÊ GOSTARIA DE SER O TEMER?

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Ontem comi um bife a parmegiana e não me senti ridículo. Por que razão senti ridículo o presidente convidar para um churrasco os embaixadores dos países importadores?

Quando mexo as mãos em um discursinho doméstico, até que me acho expressivo. Quando o presidente mexe as mãos em seus pronunciamentos, para tentar com isso enfatizar o que está dizendo, me dá pena.

Quando levo uma neta na escola me considero o melhor avo do mundo. Quando o presidente leva o Miguelzinho na aula do primário, acho lamentável um presidente parar de trabalhar para levar o garoto na escola.

Quando galanteio uma garota bonita a ela me dá alguma bola, fico pensando que sou um Marlon Brando. Mas quando o presidente se casa com uma garota linda 40 anos mais moça, acho um disparate.

Quando falo português correto, com mesóclises, considero os próximos uns ignorantes. Quando Temer se expressa como um dicionário, parece o Jânio no começo de carreira.

Quando me pergunto porque não sou o Ministro da Cultura acredito que o pais está perdendo uma grande oportunidade. Quando o presidente nomeia qualquer ministro já me indago quando é que ele vai ser preso.

Não entendo porque tanta gente quer ser presidente…

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17/03/2017 - 16:28

REFORMA FUNDAMENTAL: UM BOM GOVERNO

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A reforma da Previdência, tanto do lado do governo que lhe confere uma prioridade apocalíptica, seja da oposição que insiste em taxa-la como o fim da Revolução Francesa, também pode ser utilizada como uma cortina de fumaça para esconder ladrão. Por outro lado, o governo só tem essa bandeira: salvar a economia do país. Já a única bandeira da oposição petista é voltar ao poder, o que é justamente dificultado pelo envolvimento do partido na corrupção.

Mas a hora é de se debulhar o milho das delações até o bagaço, para ver se as 286 pessoas envolvidas tem condições de continuar a ditar a política brasileira, no executivo, no legislativo, no senado, na câmara dos deputados e nas empresas privadas que pagam a propina.

Perto dessa realidade, qualquer reforma terá menos credibilidade e menos apoio.É evidente que a economia está no brejo dos brejos, apenas tirando o rosto para respirar. Mas nenhuma economia será recuperada sem o apoio da sociedade. E a sociedade quer mais do que reformas econômicas; quer uma nova forma de votar, ter em quem votar, ver na cadeia os responsáveis, eternos candidatos.

Nada impede o que um bom governo pode fazer desde já: promover austeridades capazes de recuperar o caixa, ainda mais do que a inviabilidade de nossa previdência. Um bom governo deve jogar suas fichas na mudança da lei eleitoral., não para perpetuar os bandidos mas para renovar a classe política. Um bom governo deve estar na linha de frente da operação Lava jato, não como réu, mas como apoiador. Um bom governo deve nomear o melhor dos técnicos e dos cidadãos para os cargos de confiança, e não, escolhe-los entre indiciados. Um bom governo fala com a sociedade, não fala para a sociedade. Um bom governo não tem telhados de vidros, mas portas transparentes.Todo mundo sabe o que é bom governo. Menos o governo.

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16/03/2017 - 18:11

GILMAR MENDES VIROU MILITANTE

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, presidente do STE (Superior Tribunal Eleitoral), virou articulador político. Desceu das altas funções de juiz para fazer militância. Dá entrevistas sobre legislação politica, antes que ela seja votada. Pronuncia-se antecipadamente sobre o mérito de decisões judiciais, repreendendo juízes de instancias inferiores. Participa de reuniões politicas como se fosse presidente de partido. Agora, defensor de reforma eleitoral altamente polêmica, sem que tenha havido debate com os eleitores, oferece jantares a políticos, que mais parecem comícios a porta fechada.

Nunca vi ministro do supremo com tanta desenvoltura. Sobretudo quando, juntamente com o establishment parlamentar mais criticado da historia do país, aventam a hipótese de lista fechada para eleição de deputados, com o pretexto de que seria a única forma de controlar o financiamento público.

Lista fechada, hoje, é perpetuar os delatados. É impedir a renovação necessária do parlamento. É casuísmo interessado quando se precisa de uma lei eleitoral nova e completa com adoção de voto distrital, fidelidade partidária, fim do fundo partidário.

Todo juiz também é um cidadão com o opinião própria, mas Gilmar Mendes está exagerando no exercício da cidadania.

 

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