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21/11/2018 - 10:42

ANATOMIA DA CONSCIÊNCIA BRANCA

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Não foram escravos, mas escravizados. Ninguém se coroa com o aro metálico da submissão. O chumbo aplicado aos escravos não foi uma veste da civilização, mas uma senzala a negá-la. Colmeia de mel transformada em fel. Escravizar nunca foi um projeto da natureza mas uma decisão da força para destruir o equilíbrio da beleza. Um expediente da cobiça universal para construir a riqueza com a exploração do trabalho imposto.

Justificativa dos tiranos: ” Os negros constituem uma raça inferior incapaz de se adaptar ao processo da civilização ” Thomaz Jefferson.

Ninguém se deixa escravizar. Escraviza-se a ferro e fogo, pela dominação, pela astucia, para fazer do semelhante um dessemelhante e do ser humano um traste desumano, um jeito de esconde-lo. ainda vivo, na morte. Ninguém é tão inocente, que se deixe escravizar. O poder é uma corrente que brota na mente e envolve. É quando um homem se transforma em serpente e deixa-se levar pela mente doente, torna-se um traficante de negros, o diamante mais valioso de sua conta corrente.

Civilização Ocidental é o nome que se deu a uma sociedade que se considera superior, por imaginar-se branca, eleita por Deus, e mais inteligente por ter acesso à erudição vigente. Civilizado é quem possui armas suficientes para provar que os outros são mesmo inferiores. Têm fragatas para promover o exílio involuntário e acabam por acreditar que os submissos se agradam da condição de submissos, quando os veem cantar e dançar hinos de dor.

Toma-lhes os bens da terra, do espirito e da liberdade, para salvar suas almas. Toma-lhes o corpo para os prazeres mais sádicos. Roubam os atributos inatos do outro, para aumentarem a riqueza com bens alheios.

Os civilizados sobem nos andores, pois são donatários de uma alma superior, e dessas alturas canonizadas promovem a chacina permanente que o mando determina. Não se reconhecem no espelho da verdade, pois a mentira sempre encobre com véus e arte. Tem o dom permanente de enganar as gentes.

Escondem sob um elmo de ouro, uma nudez sem decoro.

Seduzem com uma beleza disfarçada a alma e a razão dos desavisados.

Se disso, eu, civilizado e branco, me apartasse e melhor alimentasse a alma e a razão, não seria um morto condenado em plena vida, nem um vivo alimentado pela morte. Os brancos não perceberam que libertar os escravos é libertar-se da própria morte.

 

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08/11/2018 - 11:00

A PRESSA DE JOÃO DORIA

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João Doria demonstrou na eleição para a Prefeitura de São Paulo, que venceu no primeiro turno, um potencial político muito forte e em rota de crescimento. Num país em crise isso constitui um cacife muito forte.

Embora agora tenha se elegido Governador de São Paulo com margem apertada no segundo turno, creio que meu amigo das Diretas, João Doria, continua muito apressado.

Com aquele cacife, se tivesse ficado quieto na prefeitura, realizando o projeto que havia prometido e era do maior agrado publico, em tempo adequado seria um forte candidato a qualquer posto, inclusive presidente da república. Com apoio geral.

Mas, com afoiteza, atropelou uma candidatura à presidência, passando por cima das frágeis perspectivas de Alckmin. Desagradou eleitores e cindiu o PSDB.

Saiu da prefeitura, candidatou-se a governador com metade do seu próprio partido. Enfrentou uma eleição difícil , mas ganhou. Apoiou Bolsonaro, o que era uma boa aposta. Tornou-se governador. Afinal, é bom de voto.

Mas nem tomou posse, continua apressado. Anunciou secretários da área federal.

Para a Cultura, um ex ministro,  da área federal, mas com ótimo perfil e experiência. Para a segurança, um general, o que está no figurino da republica atual. E Kassab, que dispõe de um forte partido, com bancada nacional.

Não tomou o cuidado de anunciá-los depois de outras escolhas de caráter estadual, com o perfil mais próximo de resolver problemas da administração estadual.

Isso nos induz a crer que no dia primeiro de janeiro, toma posse em São Paulo um candidato à presidência da República.

Bolsonaro deseja acabar com a reeleição, o que facilita a pretensão de todos os eventuais candidatos. Mas tudo ainda é muito prematuro e mesmo nessa hipótese Bolsonaro desejará fazer o seu sucessor.

Qualquer candidatura, antes do enfretamento dos graves problemas estaduais derivados da crise que pede soluções urgentes, vai parecer necessariamente, uma precipitação.

Doria poderá ser um bom administrador se domar com sabedoria a própria ambição.

Mas em política sempre foi mais fácil ouvir os áulicos que os amigos.

 

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06/11/2018 - 18:21

A PSICOGRAFIA DO PT

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Não gosto de malhar os mortos mas posso fazê-lo com os que se consideram insubstituíveis.

Votei com minha consciência democrática e progressista, assinei o manifesto em defesa da democracia.

Não devo mais nada ao PT.

Posso expressar , por escrito, as razões de minha rejeição ao PT.

Não acredito que o PT seja um partido democrático. Para o PT só há democracia se o PT estiver no poder.

Sempre se opuseram a projetos de interesse nacional que não estivessem em sua cartilha pétrea.

Combateu o governo e pediu o impeachment de Fernando Henrique Cardoso.

Votou contra o Plano Real.

Em carta aos brasileiros se comprometeram a adotar todas as linhas econômicas que o programa econômico de FHC poderia oferecer.

Recusaram-se qualquer encontro com FHC e afirmaram sempre ter recebido uma herança maldita.

Aparelharam o governo como um sistema de fisiologia e corrupção:

Estatais para os sindicatos. Cargos em comissão pra os militantes. Ministérios porteira fechada para os partidos aliados. Juros ótimos para os bancos. BNDES para os amigos.

Entregaram a Petrobrás e a política externa para a Odebrecht.

Iniciaram a ciranda do caixa dois para a eleição de Lula nas prefeituras que conquistaram.

Nunca explicaram as mortes de Celso Daniel e do prefeito de Campinas.

Propiciaram o Mensalão.

Entregaram à Justiça, na bandeja, o filho querido, candidato à sucessão de Lula, José Dirceu.

Iniciaram o grande percurso para a prisão de seus correligionários.

Nunca reconheceram nada. Poupado, Lula se reelegeu.

A roubalheira da Petrobras foi tanta que deu inicio à Operação Lava Jato, a maior devassa à corrupção pública desde as “Mãos Limpas Italianas”.

Nunca se desculparam de nada. Caixa dois e dinheiro no bolso, para o PT, parecia um corolário natural da ação política.

Negaram com ênfase e bons advogados a boca na botija, fotografada por profissionais da imprensa.

Nunca aceitaram as decisões da Justiça, de primeiro, segundo ou grau definitivo para a ação penal em questão.

Já no bagaço, com Lula na prisão, não aceitaram composições que poderiam ganhar a eleição contra Bolsonaro, como a escolha de Ciro com Haddad na vice.

Retardaram o tempo da escolha, precioso para o candidato do partido que não fosse Lula. Por pura obsessão.

Acertaram muito tarde a candidatura de Haddad com Manuela, do PSOL, e isso mesmo porque ela renunciou a candidatura e aceitou a vice. O PT só aceita adesão, não faz composição.

Perderam as eleições, mas nunca reconheceram, nem reconhecerão que a fabulosa rejeição ao PT tem causas, visíveis mas sempre negadas.

Agora prosseguem com uma bancada razoável, grandes líderes presos, Dilma abandonada e fora da curva na dureza da derrota, e o que restou da militância, urrando pela pureza perdida, nos bares das Vila Madalenas de todo o Brasil.

Fazem a oposição de sempre, mas nunca com a intenção de proteger a democracia,

a honestidade, a paz e a gestão do que é publico.

Fazem oposição para dar tempo ao Lula. Sem o Lula o PT não é mais nada.

E o Lula, o que será se o Brasil continuar democrático?

 

 

 

 

 

 

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05/11/2018 - 16:27

A TELEVISÃO, UMA MOEDA EM EXTINÇÃO.

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Fui a Valencia, na semana passada, outubro de 2018, para pronunciar uma aula magna, na Assembleia Geral da Aited – Associación de televisiones publicas ibero americanas.

Estavam armadas duas exposições. Uma, um dia antes, com dois acadêmicos renomados de universidades espanholas, a outra, comigo, mais habituado à vida concreta das grades de televisão.

Na primeira charla, nossos amigos espanhóis e mexicanos, falaram da renovação de gestão das atuais televisões e de como se poderia melhorar os conteúdos e a integração entre as televisões publicas, sobretudo de nosso universo ibero americano. Não faltaram considerações sobre o papel da internet, o que exigia atenção ao fenômeno.

Fiquei eticamente confuso., pois minha palestra do dia seguinte começava com a seguinte afirmação. A TV Publica broadcasting é uma moeda em extinção.

Depois de tantas lutas para aperfeiçoar o modelo de negócios, o conteúdo das publicações, depois de termos digitalizado a produção e a emissão de nossos conteúdos, aparece um poeta brasileiro para dizer que estamos assistindo a sua agonia. E essa é a verdade.

Mas temos que reagir.

Então propus um plano, análogo ao plano real posto em prática por Fernando Henrique.  Criar uma televisão experimental que funcionaria ao lado da televisão existente, com todos os instrumentos de linguagem, conteúdo e formato, voltados para todos os aplicativos da internet, para o publico em direta e também através da Cultura Play já existente que oferecerá esses conteúdos a qualquer demanda e também os conteúdos de nosso acervo e da programação corrente. Teria a dramaticidade visual de um caleidoscópio cubista.

Esse plano implicará numa conexão permanente para criação de conteúdos, de fora para dentro e de dentro para fora, tudo impulsionado intensivamente para a rede.

Coloquei ênfase na realidade televisiva atual. As duas grandes eleições do século XX, a de Trump e de Bolsonaro foram vencedoras com uma estratégia de rede e não de televisão. Os debates, no melhor programa do Brasil o Roda Viva, foi assistido em direta, apenas 32% dos espectadores. 68% assistiram diretamente através do YOUTUBE. A repercussão impulsionada se deu a partir dos aplicativos existentes.

E nessa televisão qual é o nosso papel como dirigentes desses veículos?

Na Cultura, nós conselheiros, somos diretamente responsáveis pela programaçao que deve formar criticamente o espectador para o exercício da cidadania. Assim, devemos propiciar a implantação imediata de um laboratório de novos conteúdos, um processo paralelo de uma televisão experimental. Será uma espécie de TV Culturas, pois as culturas se multiplicaram.

E, cuidar de uma preocupação resultante dos novos paradigmas. A língua . Em nossos caso, a portuguesa.Blogs, Youtube, facebook, tweeter, what’s up, instagran produzem conteúdos e formatos que absorveram a linguagem televisiva. São produções que carregam na imagem pessoal do criador , sua dramaticidade e num discurso sincopado. Perderam-se esses criadores individuais,  por desinteresse ou ignorância, do vernáculo. Fazem coisas incríveis desde que não precisem recorrer ao vernáculo.

Temos ainda que nos disciplinar interiormente para os novos tempos. Tínhamos sonhos, mas precisamos aceitar uma nova cultura para os sonhos. E isso só se faz acordado.

 

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26/10/2018 - 10:15

DOA A QUEM DOER

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O SEGUNDO IMPEACHMENT DA DILMA FOI A DERROTA EM MINAS GERAIS. UM DURO GOLPE PARA O PT.

A RUINA DO PSDB FOI A GUERRA INCONSEQUENTE ENTRE COMPANHEIROS.

A RUINA DO PT FOI A AMBIÇÃO BURRA.

NENHUM CANDIDATO TINHA PLANO DE GOVERNO. TINHAM DIRECIONAMENTO IDEOLÓGICO.

CIRO ERA A UNICA ALTERNATIVA CONTRA BOLSONARO. MAS A CEGUEIRA É A CEGUEIRA.

QUEM APOSTOU NA TELEVISÃO, NO FIM FICOU MENDIGANDO NA PORTA DAS REDES SOCIAIS.

O PIOR SERÁ O DAY AFTER, QUANDO OS DESATINADOS SE ABRIGARÃO SOB O GUARDA CHUVA DA VITORIA.

ESTA ELEIÇÃO PRODUZIU OS MAIS BELOS ARTIGOS DE AUTORES INDEPENDENTES.

ARQUIVADOS NAS LÁGRIMAS DA HISTÓRIA.

AINDA O DAY AFTER. ESPERO QUE AMIGOS NÃO CONTINUEM INIMIGOS.

TODO VAZIO POLITICO INDUZ A MITOS AUTORITÁRIOS. A DEMOCRACIA PAGA A CONTA.

SERÃO DUROS OS DIAS FUTUROS DE LULA, QUANDO O CELULAR E AS VISITAS NÃO PRODUZIREM MAIS NENHUM EFEITO POLÍTICO.

EM QUALQUER HIPÓTESE O PSDB SERÁ UM PARTIDO NANICO, ESCORREGANDO NA BANANA DA INCOERÊNCIA. DA ETERNIDADE, MONTORO CHORA.

TEMER PERDEU UM “BONDE CHAMADO DESEJO” NA CILADA DA JBS E NA ARMAÇÃO DO JANOT. E O BRASIL PERDEU A REFORMA DA PREVIDÊNCIA.

PARA NÓS, DEMOCRATAS, RESTA UMA VIGILANCIA MORAL E POLITICA. O SLOGAN NAO SERÁ MAIS “SEM MEDO DE SER FELIZ”, SERÁ “SEM MEDO DE SER COVARDE”.

 

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25/09/2018 - 11:05

SE NÃ0 FOSSE O IMPEACHMENT

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Maria, minha assistente doméstica há quase cinquenta anos, socióloga de forno e fogão, me disse esta manhã:

– Se não fosse aquele “impiche” o PT não estaria nesta posição nas eleições.

De fato, a derrubada de Dilma, qualquer que tenha sido a validade processual do feito, trouxe consequências danosas ao país.

Primeiro, foi uma meia queda, pois não levou junto seu companheiro de chapa, o Temer, e deixou a julgada livre para se candidatar nas próximas eleições.

Segundo, foi uma crença idiota da oposição, incluindo a burguesia financeira e o PSDB, imaginar que Temer poderia fazer as reformas necessárias, ainda que sendo um prisioneiro dos interesses mais escusos do MDB.

Terceiro, pensar que a prisão de Lula enterraria o PT de vez. Ao contrario , fora do governo, e com o PT na oposição, nesse camarote judicial, Lula conclamou a volta aos bons tempos.

Se Dilma estivesse no poder a crise seria ainda aguda quanto insuportável, com 12 ou mais milhões de desempregados, um descrédito nacional e internacional absolutos, a moeda americana na lua e os juros, provavelmente nas portas do inferno, possibilitando um melhor percepção de   uma conexão  entre incompetência de gestão e corrupção na gestão. O PT seria percebido como responsável por toda a insatisfação produzida por um governo seu. A oposição estaria nadando de braçada nesta eleição de outubro com toda a oportunidade de derrubar o Bolsonaro, pois ele estaria presente da mesma forma, seguindo as tendências direitistas de razoável parcela do eleitorado.

Creio que não há nada mais burra e despreparada do que a elite brasileira.

Pensa com tanto imediatismo nos próprios interesses que se esquece que a politica tem uma lógica inexorável: crise produz mitos, e mitos são pessoas; injustiça crônica produz mitos, e mitos são pessoas. E se isso aconteceu fora dos tempos democráticos, acontece hoje, em plena democracia, no mundo inteiro.

O resultado está ai , visível nas pesquisas, de um lado o Capitão Bolsonaro, que já incomodava Fernando Henrique em entrevista do sociólogo senador nas paginas amarelas de 1992 e do outro Haddad, um simpático preposto de Lula.

Bolsonaro propondo um regime de força, pela via eleitoral democrática e Haddad, possibilitando o retorno do PT, em toda sua plenitude.

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18/09/2018 - 11:04

LULA DESENCARNA

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Da vitrínica solidão do cárcere

Lula projeta o eu do eu

para instalar no outro o que é seu.

Descola-se, assim, o santo, da masmorra,

por um contrato de aforamento.

Nunca antes, na história áspera

deste país, um vivo re-habitou-se

em tantos, levando-se invisível

no mostruário político da mascara.

 

Não pretende o preso com essa

transferência indultar-se da pena,

quer apenas tornar-se um Cícero

na Arena do Senado, em Roma.

Em tempos de descrença se reinventa,

com Alan Kardek aprende andanças.

Promove o tráfico legal do mito,

de um lado para o outro impõe o fato.

O fazedor do futuro, sem medo de ser feliz,

oferece o passado no corpo do aprendiz.

 

Para galgar um turno atrás do outro

Haddad administra o novo culto:

ser ele mesmo, com Lula dentro.

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05/09/2018 - 12:17

MUSEU NACIONAL – O QUE FAZER DO MEU ÓDIO

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Savanarola, impiedoso pregador dominicano de Florença, no tempo da inquisição, já teria colocado na fogueira muita gente que administra a cultura e a educação neste país. Um sentimento de ódio com o incêndio do Museu Nacional, quase me leva a desejar o mesmo destino a todos esses canalhas que incendeiam os valores e as memórias.

Há tragédias ocasionais, há tragédias produzidas pelo ressentimento humano e há tragédias produzidas pela corrupção. Quando governantes, deputados e beneficiários suspeitos drenam para o funil da roubalheira todos os recursos de nosso orçamento, a tragédia já está antecipadamente anunciada.

Um museu, o mais emblemático de nossos museus, centro de encontros e pesquisas, estava caindo aos pedaços, como denunciado em seus 200 anos. Não possuía qualquer estrutura de segurança contra deterioração, roubo, incêndios. Qualquer Mc Donald’s tem um chuveirinho (sprinkler) para o caso de incêndio. O Museu Nacional não. Os extintores existentes não funcionam nem funcionariam. por falta de água. Alarme, só das ambulâncias que passavam ao largo. Enfim, um patrimônio largado na sarjeta como uma criança pobre brincando num córrego infectado das periferias. Qualquer metáfora será insuficiente para definir a podridão.

Não preciso dizer, com estas palavras grosseiras, que os responsáveis pela gestão desta república, estão cagando e ralando para a cultura. O pouco que fazem é destinar benefícios fiscais para o mercado das artes, isto é, para espetáculos de arte e artistas consagrados pelo mercado comercial da arte.

Desde a eleição de Tancredo, nós, do setor cultural, clamamos pela destinação de 1% do orçamento para a criação, a conservação, a divulgação e o acesso aos valores artísticos nacionais.

Contudo, só se apoia o que é espetacular e visível. Condena-se à morte a arte e a memória escondida em belas edificações abandonadas.

O que fazer do meu ódio, quando só vejo uma porta estreita para corrigir suas causas e suas consequências: o dia 8 de outubro?

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03/08/2018 - 18:04

O PERIGO BOLSONARO

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Infelizmente ninguém precisa ser letrado para ser presidente. Aqui ou lá fora.

Bush se orgulhava da ignorância. Foi presidente. Trump, homem de negócios, truculento e bastante privado de conhecimentos históricos e políticos é o presidente dos Estados Unidos. Um austríaco, pintor de paredes, de duvidosos conhecimentos intelectuais dominou a Alemanha e quase dominou o mundo: Adolf Hitler. Nero tocava harpa, enquanto Roma pegava fogo. Maduro está destruindo a Venezuela.

Bolsonaro, no Roda Viva da TV Cultura, mostrou que seus conhecimentos históricos são abaixo de primários, para um candidato à presidência. Ignorante mas sagaz, enrolou os entrevistadores, não respondeu uma só questão relativa a problemas brasileiros como educação, saúde e economia, que diz desconhecer completamente. Mas nada de braçada em cima da questão da violência, de arma em punho. Perguntas insistentes no segmento ajudaram-no a ficar na crista da onda durante o programa.

Não mostrou qualquer indignação diante da tortura histórica da ditadura brasileira.

O perigo de sua eleição não pode ser descartado. Ele assume, ilustra e divulga tudo o que nos parece absurdo, mas que agrada parte considerável da população, na atual conjuntura. Ordem a qualquer preço, violência e autoritarismo.

Bolsonaro dispõe de um aparato de comunicação na rede social de grande atualidade e tecnologia apurada. Viraliza qualquer pronunciamento seu. No Roda Viva sua rede produziu records de permanência no ar, no You Tube, no Face Book, e 68% do publico assistiu o Roda Viva fora da televisão convencional.

Tem pouquíssimo tempo no horário eleitoral, mas domina o tempo na rede, como Trump dominava. Sua equipe trabalha para resolver a eleição no primeiro turno, contando com a ausência legal de Lula, a demora de um acerto entre as esquerdas e o comprometimento do Centrão com a corrupção.

Há um sentimento na burguesia política de que na reta final ele murcha. Melhor murchá-lo agora, pois na reta inicial ele saiu ganhando..

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01/08/2018 - 10:18

HELIO BICUDO – um frasco explosivo

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Conheci Bicudinho, como o chamávamos, na campanha e no governo de Carvalho Pinto. Pertencia a um grupo de procuradores que CP convocou para ajudarem-no a governar, inclusive Plinio de Arruda Sampaio. É importante relembrar que Bicudo ajudou o Plinio a montar o Plano de Ação e o Plano de Hidroelétricas. Na crise da renuncia de Jânio, eu já era Sub Chefe da Casa Civil, produzimos a declaração de Carvalho Pinto, “- Precisamos respeitar o espirito e a letra da constituição “, o que fez o sistema militar recuar da intenção de uma intervenção e aceitar o sistema parlamentarista com Jango no governo.

Bicudo era pequeno como um frasco, mas explosivo como a pólvora em tudo o que violasse os direitos fundamentais da pessoa humana.

 

Na ditadura militar e mesmo antes dela revelou-se um defensor desses direitos. Denunciou com muita coragem o esquadrão da morte. E dai para frente enfrentou os poderosos. Optou pelo PT, quando muitos de nós ficamos no PMDB e criamos o PSDB. Depois do Mensalão, junto com Plinio, Chico Whitaker e tantos outros saiu do partido. Para Bicudo, ninguém tem cadeira cativa no meio da corrupção.

 

Agia com paixão e conhecimento jurídico. Assinou o pedido de impeachment de Dilma pois sabia para onde o país estava indo e foi.

 

Ninguém é insubstituível, como se costuma afirmar a beira de uma cremação, mas há pessoas, como Hélio Bicudo, cuja vida inspira melhor procedimento aos que estão vivos. E nunca, na historia do Brasil, precisamos tanto dessa inspiração.

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