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23/06/2017 - 10:05

A TRAGÉDIA MORA AO LADO

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Quando saio de meu belo apartamento na Peixoto Gomide, e me dirijo para a Paulista, cruzo todos os dias com um travesti alto, já meio desbotado, sem a exuberância da maquiagem noturna.

Vive com um companheiro e passam o mais do tempo sob um ralo cobertor, pois dormem de dia, qual outros moradores de rua.

Abrigam-se há muito tempo sob a marquise lateral da Loja Marisa, na Peixoto, entre dois grandes vasos de cimento, já sem flores. Um deles foi transformado num fogão, no qual nunca vi qualquer panela que não fosse de feijão com arroz, de que o travesti se incumbe.

Cumprimento-o quando passo e recebo o retorno de um leve movimentar de cabeça, sem sorriso.

De dia, naquele oficio singelo, vejo os restos pálidos de uma decoração fúnebre. A gloria eventual daquele rosto parece estar perdida num passado remoto ou numa noitada de glória.

A última vez que os vi, estavam cercados por dois guardas, que pediam informações e documentos. Parei, num instinto de proteção, mas percebi que a inquirição era delicada e respeitosa.

Hoje de manhã, Maria, que cuida de mim, de meus filhos e netos há mais de cinquenta anos, contou-me que ela morreu ha uns três dias. Contou-me que ela fora levada a um hospital onde não resistiu à pneumonia e à desproteção orgânica do HIV.

Soube ainda que um irmão, do Paraná, veio de avião buscar o corpo do filho pródigo que, com 17 anos saiu de casa para a liberdade das ruas, da droga e do sexo.

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18/06/2017 - 20:45

MARCHA DE JESUS, CORPUS CHRISTI, PARADA GAY

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Nem Temer, nem Moro, nem a CUT levaram gente às ruas nesta semana catastrófica da política.

Depois da miopia consentida do TSE o povo continua quieto.

Depois da entrevista circunstanciada de Joesley acusando três presidentes de inaugurarem e consolidarem a corrupção no Brasil o povo ficou em casa.

Enquanto o Congresso articula descaradamente a auto anistia o povo continua calado, ruminando sobre os boatos e os fatos.

Mas com alegria no coração, o povo foi a rua três vezes, aos milhões, no Brasil, em São Paulo e na Paulista, na mesma semana dos fatos acima descritos.

A Marcha de Jesus trouxe milhões, de todos os cantos da cidade e do estado para marchar da Luz ao Campo de Marte. Pessoas sóbrias, mas alegres, fixadas em Jesus para apaziguar as ovelhas do perturbado rebanho.

Nas Procissões de Corpus Christi, sobre quilômetros de tapetes coloridos, de flores, serragens e outras tintas de fé, a hóstia sagrada percorreu as ruas, ao lado do povo, até o abrigo dos templos.

Na Parada Gay, do domingo, cada pessoa era a própria marcha da afirmação, com as cores do arco íris. Não era uma festa pagã, era uma festa civil. 40% de militantes, e 60% de turistas simpatizantes. Um grande clima de paz numa alegria sem sobriedade.

Isso parece dizer que há um tempo para Deus, um tempo para Dionisio e um tempo para Cesar. Enquanto o povo se volta para Deus e para Dionisio, só os políticos se voltam para Cesar.

Porque? Por que os corruptos fecharam as portas da política ao povo. É preciso abrir a praça, onde se pratica a política, a todos os cidadãos.Senão, a praça se transformará num funeral, onde Cesar já está enterrado.

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16/06/2017 - 17:14

MUDOU O EIXO DO ÓDIO

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Vivíamos entre dois ódios: Petistas e não Petistas.

Os debates eram terríveis. As passeatas frequentes. Os ódios explícitos.

Agora, nem isso, sobraram razões, ainda piores que o ódio, os interesses.

Presidente, senadores, deputados e empresários só querem salvar a pele. Para isso fazem de tudo. Delatariam a mãe, se isso os poupasse da cadeia e ou lhes permitisse permanecerem no tabuleiro eleitoral.

Os partidos, ainda no poder, só pensam como sobreviver ao descrédito da política, com uma reforma política de merda que permita e pague a conta do eterno retorno.

A sociedade moral, que está fora desse jogo, permanece perplexa, nem mais vai as ruas, nem mesmo alimenta ódios, fica resignada com o bom senso dos pequenos interesses ou palavras de ordem midiáticas:

– Manter Temer no poder até as eleições de 2018, pois isso permitiria que ele concluísse as reformas, impedindo que Lula voltasse numa direta precipitada.

– Derrubar a pinguela já, para que o país se moralize, apesar dos riscos.

– Tirar o Temer, no tiroteio da PGR, com realização de eleições indiretas, colocando no seu lugar, até 2018, um “notável” capaz de governar até as eleições.

– Fechar o TSE, que demonstrou-se inútil no julgamento dos potentados.

– Deixar o Supremo arbitrar o impasse político e as soluções constitucionais.

– Dar tempo ao tempo.

Contudo, nem a LAVA JATO encontrou uma forma de tirar os verdadeiros donos, do poder, em tempo adequado, pois dar tempo ao tempo é deixar tudo como está, e perder a grande oportunidade.

 

 

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13/06/2017 - 20:36

35 ANOS – ITAU CULTURAL

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O Itau Cultural, hoje, abriga a maior memória eletrônica de artes plásticas do Brasil, como concebeu Olavo Setúbal.

Com RUMOS, descobre os valores novos de poetas, pintores e compositores em qualquer parte da nação.
Com a BRASILIANA, exposição permanente, documenta, ao vivo, o retrato do Brasil.
Seu AUDITÓRIO tem as cortinas abertas ao pensamento, ao espetáculo e à beleza da liberdade.
A OCUPAÇÃO, no térreo da Paulista, revela em detalhes a vida de grandes artistas brasileiros, de Cartola a Clarice Lispector.
Importante é que o ITAU CULTURAL entendeu o contexto cultural em que vivemos no Século XXI. Por isso mesmo pratica uma cultura da massa.
Acesso à grande diversidade social, registro e exposição da memoria criativa e a revelação de valores artísticos descolados do mercado comercial da arte.
Guarda o espirito de Olavo Setúbal, o dinamismo da Milu Villela, um Conselho atento e uma gestão de equipe, com Eduardo Saron.
Sinto orgulho de fazer parte.
Na OCA, do Ibirapuera, o Itau  Cultural comemora 35 anos de existência, com uma notável exposição do acervo artístico do Itau Unibanco, a maior coleção institucional do mundo. São 900 obras de um acervo de 15 mil obras.
Essa coleção privada tem uma enorme vocação pública. Constitui, por si, um museu bem maior do que outros existentes em São Paulo.
Minha utopia: que a OCA, um dia, a abrigue para sempre.

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08/06/2017 - 13:35

O BRASIL PRECISA DE POUCO PARA SAIR DO BURACO

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 Hoje, 7 de junho de 2017, no Brasil, vejo dois cenários no palco da comédia:

 Continuar uma reforma econômica a qualquer preço, e da preferência do sistema, ou seguir rigorosamente os preceitos da constituição, para garantir a ossatura institucional do país.

Qualquer solução, (sobreviver já é solução no Brasil), implica na extinção política dos atuais protagonistas. Empresários, deputados e senadores, envolvidos nas presentes denúncias, devem ser impedido de qualquer acesso a mandato legislativo e gestão publica. Essa será a maior punição, junto ao pagamento do que roubaram, ainda melhor do que a cadeia, que no Brasil, não recupera nem um santo.

Para garantir esse procedimento será indispensável uma reforma política radical que diminua o número de partidos, aproxime os candidatos do eleitor, em sua geografia domiciliar e obrigue o militante a ser fiel a partidos com programas, sem trocas de conveniência. Reforma que possibilite o surgimento de quadros políticos novos, com espirito cívico, honestidade, capacidade profissional, cujas candidaturas a qualquer disputa, legislativa ou executiva, sejam obtidas em prévias partidárias e não objeto de escolha das cúpulas partidárias.

É incrível como o Brasil precisa de poucas soluções para servir a muitos. Da mesma forma que é incrível a existência dessa ossatura institucional que tem resistido a crises econômicas e políticas da maior dimensão.

Isso deve-se à democracia. Deve-se a imprensa, que livre, ajuda muito e erra pouco.

Deve-se à opinião pública que sabe manifestar-se nas horas extremas.

Deve-se a uma nova geração de juízes, promotores e policiais que foram capazes de sustentar a Operação Lava Jato, a maior iniciativa anticorrupção do mundo moderno.

 

 

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03/06/2017 - 18:01

CEM ANOS DE SOLIDÃO FAZ 50 ANOS

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Num almoço que não se concluiu pois os dois escritores estavam duros, sem um tostão no bolso, o poeta mexicano Homero Adjis, perguntou a Garcia Marquez:

– Como vai a novela?

– Vou levar cem anos para escrevê-la. Espero poder viver, para ver.

– Será editada pela Moriz?

– Creio que o editor não está interessado, mas se arrependerá, pois o livro atuará como labaredas nas letras hispano-americanas.

A novela em questão era Cem anos de solidão.

Salman Rushdie, o grande escritor inglês, afirmou, conforme El Porta Voz, que “não há livro mais lido e mais amado do que Cem anos, desde Dickens”.

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28/05/2017 - 11:05

MOZART NA CRACOLÂNDIA

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Drogado se cura com educação, saúde e internamento.

Traficante se cura com cadeia.

Uma coisa não dispensa a outra. Quando estão juntas, precisamos de ação conjunta: ação social e ação policial.

Cidadania não se promove no Paraiso. Promove-se na terra e por vezes no inferno.

A única coisa imperdoável, na tragédia da Cracolândia é a inércia. Faz anos que só damos sopa.

Ao lado, na Sala São Paulo, um jovem inglês de 22 anos, Benjamin Grosvenor, mostrou, nesta semana, que de Mozart a Lizt a vida pode ser harmônica. Foi aplaudido de pé.

A região da Luz, desde o inicio do Século Vinte, parecia destinada ao lazer e à cultura dos paulistanos. Era a grande estação da cidade grande. A Estação da Luz e da Sorocabana traziam o café e os plantadores, que vinham . Vinham buscar cultura. O Parque tinha concertos de bandas e esculturas monumentais.

No Governo Montoro, como secretario da Cultura, criamos a LUZ CULTURAL, com Regina Meyer, Fabio Magalhães, Rodolfo Konder e outros companheiros. Tiramos um edifício nobre das mãos de particulares, por doação de governos anteriores, para instalar a nova Pinacoteca. Fizemos a Oficina Cultural Oswald de Andrade no edifício da Odontologia, que estava destinada a abrigar um banco comercial. Habilitamos o Franco Zampari e as danças equestres da PM. O teatro da hebraica fervilhou. Os sargentos da Policia Militar fizeram seminários com professores da USP, todos recém saídos dos conflitos da ditadura militar, para se transformarem em agentes de uma luz cultural.

Dois mandatos depois, Covas fez a Sala São Paulo, com Marcos Mendonça, o maior monumento cultural da cidade.

O crack transformou a luz em trevas. Só uma nova luz cultural e política podem criar uma moldura de paz na região da Luz.

O governador deveria fixar residência no Palácio dos Campos Elíseos para solidarizar-se com o futuro.

 

 

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23/05/2017 - 10:31

O EXEMPLO DE ANITA GARIBALDI

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Além de ser um belo romance, ANITA, a última obra de Thales Guaracy, presta um grande serviço à pobre memória dos brasileiros. Guardamos uma fugaz lembrança de Anita Garibaldi e até mesmo de seu marido, Giuseppe Garibaldi, que batalhou na Laguna, no sul do Brasil e foi o grande herói unificador da Itália.

Anita não foi apenas uma memória perdida, mas a própria memória da coragem. Mulher simples, bonita, do interior altivo do Brasil, Aninha do Bentão, decidia tudo num simples olhar.

Esta historia só poderia ser contada, como o fez o autor de Anita, pelos olhos finais de Giuseppe Garibaldi. O herói que a perdera no meio da guerra, não tinha lembrança de outra mulher mais corajosa, mais mãe, mais guerreira. Anita, desde sempre, foi o exemplo da mulher que se afirma pela força, a dizer que na luta e na esperança não há gênero, há coragem ou abandono.

Thales Guaracy conta sucinto. Não há desperdício numa vida curta. Mas há tudo num percurso heróico. Esse livro, editado pela Record, é para ser lido. Lido agora, num tempo em que a mulher saiu das lendas e das rendas protetoras, para tornar-se com o homem, sujeito do caos ou da grandeza.

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18/05/2017 - 11:40

O BRASIL SÓ ACEITA UMA SAÍDA LEGAL

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Estamos num buraco sem tamanho. O presidente Temer nas cordas. Aécio em nocaute técnico. Os aliados saindo da arena. O PT aproveitando o que os militantes mais gostam: somos todos iguais, melhor nós do que eles. O congresso imobilizado pelo próprio descrédito.

O que fazer ? como fazer? Quando fazer?

Só há uma saída. O respeito as leis. O respeito à democracia. Só o poder judiciário pode garantir isso no Brasil.

Garantir as substituições temporárias legais. Promover eleições indiretas (Art. 81) como manda a lei, cujo novo presidente deverá presidir as eleições de 2018.

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17/05/2017 - 10:39

PERDEMOS A MEMÓRIA

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A memória pessoal desaparece quando temos interesse que ela desapareça ou quando o cérebro pendura a chuteira.

A memória de uma nação desaparece porque é induzida a desaparecer por força de novos interesses ou pela atração dos novos modelos.

O cérebro de uma nação, contudo, é a alma do povo.

Ela fica congelada, mas costuma dar o ar da graça em situações extremas.

O que nos estaria a dizer, agora, esta alma congelada?

Perdemos a educação, o que significa que não respeitamos a opinião do práximo e somos incapazes de estabelecer um diálogo.

Perdemos a sensibilidade no relacionamento, substituindo-a pelo ódio intelectual.

Perdemos a confiança na politica, único instrumento democrático para organizar a representação do povo junto aos poderes.

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