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26/03/2017 - 11:14

MEMÓRIAS – MELHOR AULA DE FHC

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Ainda não acabei o terceiro volume, mas acompanhei a repercussão e entrevistas dadas pelo ex-presidente. Pelo primeiro e pelo segundo volume, que li, já podemos dizer que se trata de leitura fundamental para quem quer entender o Brasil político no qual vivemos.

Toda biografia escrita muito depois sempre se apaga na pátina de uma intenção depuradora da historia, seja a de redação própria ou alheia. Ao gravar tudo simultaneamente aos acontecimentos e reproduzi-las na íntegra para edição, nessas memorias de FHC você sente os passos e a poeira produzidos pelo cotidiano de um governante, em pleno exercício do poder. Não falta nada, muito menos a ironia que FHC percebe nos comportamentos produzidos pela sintaxe palaciana, tanto para o chefe de estado quanto para os que o rodeiam ou o procuram com interesses angélicos ou escusos. Mostra que uma decisão de governante sai do corpo inteiro, emoção e razão.

Fernando sempre gostou de jogar pôquer com os amigos, mas o faz por prazer. Na politica, creio que Fernando joga para ganhar. Desde a USP nunca gostou de perder na política. Por isso mesmo, no primeiro volume você percebe que o governante quer ganhar apenas com seus ideias, no decurso ele precisa ganhar com a conjuntura. No terceiro volume a conjuntura parece mais gulosa. Ambos os protagonistas se conhecem mais, o governante, os partidos, os deputados e até os ministros, escolhidos para viabilizar a governança.

Sobra o que vale para a historia de nós todos políticos, principalmente para a dos que galgaram essa posição máxima de presidente: ou você mantem um pacto com a nação ou prefere um pacto apenas com o poder.

Creio que a opção de FHC foi pelo Brasil, e como conseguir isso é a grande lição dessas memórias.

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20/03/2017 - 14:57

VOCÊ GOSTARIA DE SER O TEMER?

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Ontem comi um bife a parmegiana e não me senti ridículo. Por que razão senti ridículo o presidente convidar para um churrasco os embaixadores dos países importadores?

Quando mexo as mãos em um discursinho doméstico, até que me acho expressivo. Quando o presidente mexe as mãos em seus pronunciamentos, para tentar com isso enfatizar o que está dizendo, me dá pena.

Quando levo uma neta na escola me considero o melhor avo do mundo. Quando o presidente leva o Miguelzinho na aula do primário, acho lamentável um presidente parar de trabalhar para levar o garoto na escola.

Quando galanteio uma garota bonita a ela me dá alguma bola, fico pensando que sou um Marlon Brando. Mas quando o presidente se casa com uma garota linda 40 anos mais moça, acho um disparate.

Quando falo português correto, com mesóclises, considero os próximos uns ignorantes. Quando Temer se expressa como um dicionário, parece o Jânio no começo de carreira.

Quando me pergunto porque não sou o Ministro da Cultura acredito que o pais está perdendo uma grande oportunidade. Quando o presidente nomeia qualquer ministro já me indago quando é que ele vai ser preso.

Não entendo porque tanta gente quer ser presidente…

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17/03/2017 - 16:28

REFORMA FUNDAMENTAL: UM BOM GOVERNO

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A reforma da Previdência, tanto do lado do governo que lhe confere uma prioridade apocalíptica, seja da oposição que insiste em taxa-la como o fim da Revolução Francesa, também pode ser utilizada como uma cortina de fumaça para esconder ladrão. Por outro lado, o governo só tem essa bandeira: salvar a economia do país. Já a única bandeira da oposição petista é voltar ao poder, o que é justamente dificultado pelo envolvimento do partido na corrupção.

Mas a hora é de se debulhar o milho das delações até o bagaço, para ver se as 286 pessoas envolvidas tem condições de continuar a ditar a política brasileira, no executivo, no legislativo, no senado, na câmara dos deputados e nas empresas privadas que pagam a propina.

Perto dessa realidade, qualquer reforma terá menos credibilidade e menos apoio.É evidente que a economia está no brejo dos brejos, apenas tirando o rosto para respirar. Mas nenhuma economia será recuperada sem o apoio da sociedade. E a sociedade quer mais do que reformas econômicas; quer uma nova forma de votar, ter em quem votar, ver na cadeia os responsáveis, eternos candidatos.

Nada impede o que um bom governo pode fazer desde já: promover austeridades capazes de recuperar o caixa, ainda mais do que a inviabilidade de nossa previdência. Um bom governo deve jogar suas fichas na mudança da lei eleitoral., não para perpetuar os bandidos mas para renovar a classe política. Um bom governo deve estar na linha de frente da operação Lava jato, não como réu, mas como apoiador. Um bom governo deve nomear o melhor dos técnicos e dos cidadãos para os cargos de confiança, e não, escolhe-los entre indiciados. Um bom governo fala com a sociedade, não fala para a sociedade. Um bom governo não tem telhados de vidros, mas portas transparentes.Todo mundo sabe o que é bom governo. Menos o governo.

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16/03/2017 - 18:11

GILMAR MENDES VIROU MILITANTE

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, presidente do STE (Superior Tribunal Eleitoral), virou articulador político. Desceu das altas funções de juiz para fazer militância. Dá entrevistas sobre legislação politica, antes que ela seja votada. Pronuncia-se antecipadamente sobre o mérito de decisões judiciais, repreendendo juízes de instancias inferiores. Participa de reuniões politicas como se fosse presidente de partido. Agora, defensor de reforma eleitoral altamente polêmica, sem que tenha havido debate com os eleitores, oferece jantares a políticos, que mais parecem comícios a porta fechada.

Nunca vi ministro do supremo com tanta desenvoltura. Sobretudo quando, juntamente com o establishment parlamentar mais criticado da historia do país, aventam a hipótese de lista fechada para eleição de deputados, com o pretexto de que seria a única forma de controlar o financiamento público.

Lista fechada, hoje, é perpetuar os delatados. É impedir a renovação necessária do parlamento. É casuísmo interessado quando se precisa de uma lei eleitoral nova e completa com adoção de voto distrital, fidelidade partidária, fim do fundo partidário.

Todo juiz também é um cidadão com o opinião própria, mas Gilmar Mendes está exagerando no exercício da cidadania.

 

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14/03/2017 - 18:59

NÃO EXISTE CAIXA DOIS SEM PERSPECTIVA DE RETRIBUIÇÕES

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Nunca PSDB e PT estiveram tão perto quanto na interpretação penal do caixa dois para campanha política, que, para eles, não se confunde com propina. Com essa ênfase buscam separar o joio do trigo, mas, então, não sobra joio para ser condenado. Quase todos serão absolvidos pela sutileza jurídica da aplicação da propina em campanhas eleitorais.

Isso impedirá o saneamento dos quadros do atual legislativo, pois absolvidos, deputados e senadores do caixa dois poderão disputar a reeleição em 2018. Todos eles possuem feudos eleitorais que recebem as migalhas e continuam atavicamente fieis aos seus candidatos.

Já a Odebrecht pensa que caixa dois para campanha é crime, tanto é que fez a delação premiada com a convicção de que estava denunciando crimes, todos eles bem contabilizados no país e na Suíça, fossem eles o caixa dois que foi para o bolso ou para o bolso das campanhas.

Agora, pelas leis atuais, tudo depende do poder judiciário. No julgamento de Raupp, o Supremo já demonstrou que caixa dois eleitoral também é crime. E só isso pode dar rumo aos acontecimentos, colocando os pontos nos ii. A Odebrecht nunca deu um tostão para ninguém, sem a convicção de que continuaria a receber, como contribuição, os melhores contratos nacionais e internacionais, com a ajuda direta dos beneficiários. Para tudo não ficar como está essa farsa precisa ser desmascarada e o foro privilegiado deve ser extinto.

 

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06/03/2017 - 19:13

INDUSTRIA AUTOMOBILÍSTICA, UMA HISTORIA TRISTE

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A indústria automobilística brasileira nasceu do privilégio e de compromissos.

O governo gastou bilhões na construção de estradas de rodagens.

Governos estaduais e municipais fizeram concessões fiscais e imobiliárias.

Os governos fecharam, com o maior descaramento, todas as estradas de ferro do Brasil, construídas desde o Império.

As tentativas de projetos de carros nacionais foram abortadas no inicio, no meio ou no fim, por morte ou aquisições de montadoras multinacionais.

Fora o Brasília, nenhuma montadora multinacional produziu, em 60 anos, um modelo verdadeiramente projetado e com a marca de produto brasileiro. Enquanto isso a Coreia , em trinta anos, reinventou o carro, com a produção de dezenas de marcas próprias.

A grande indústria nacional automobilística montou ou produziu carros no Brasil, todos com tecnologia defasada com relação aos carros produzidos em qualquer outro pais, a exceção da Rússia.

Nosso mercado interno paga os preços mais caros do mundo para carros importados ou montados no Brasil.

Enquanto isso, a grande produção nacional de grãos atola em estradas de rodagem mal cuidadas, enquanto as ferrovias prometidas ainda não transportaram um só quilo de soja aos portos do norte.

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03/03/2017 - 15:38

UM MANIFESTO PERSONALISTA DA CLASSE MEDIA INTELECTUAL

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424 cidadãos, de nível universitário e mesmo acima disso, com mais de 40 anos, pelos títulos, da mais sólida classe media brasileira, assinaram o primeiro manifesto pedindo que Lula se candidate já para 2018.

Essas assinaturas vem de encontro à vontade do próprio, que não pensa em outra coisa: retomar a jornada que o levou à presidência e da qual se retirou indicando Dilma como sucessora.

Essas 424 pessoas justificam a proposta, proclamando o desejo de que Lula devolva o Brasil à democracia, os pobres ao poder, as empresas a uma gestão pública e nacional, as estatais aos sindicatos, enfim para que os direitos sociais usurpados se reencontrem com uma plataforma de governo.

Nem uma só palavra recomenda que o presidencialismo de cooptação seja contido ou disciplinado por reforma eleitoral consistente. Nenhuma recomendação, no douto manifesto, para que a corrupção praticada no Executivo, no congresso, nas empresas privadas, seja impedida por leis de combate ao crime. Nenhum reconhecimento de que o PT levou o Brasil à inviabilidade econômica. Nenhuma palavra sobre uma plataforma econômica capaz de reerguer a nação; apenas uma confiança carismática na pessoa de Luiz Inácio Lula da Silva, mais venerado pela origem do que por feitos duradouros. Nem uma só palavra pelo processo judicial que, pela primeira vez na historia do Brasil, indicia e condena os poderosos, colocando-os na cadeia.

Querem um Lula puro sangue, com as virtudes que só a pobreza confere aos cidadãos.

Todo eleitor tem direito a preferencias, mas acho um desperdício, que intelectuais tão fieis ao próprio desempenho, sejam tão condescendentes com a saída única: Lula, que a qualquer momento pode ser indiciado pela opinião pública como o homem que nunca percebeu nada.

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01/03/2017 - 19:00

QUARTA FEIRA DE CINZAS: A DELAÇÃO PREMIADA

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Já afirmei no ‘O QUE VOCE ESTÁ PENSANDO?” que a verdadeira quarta feira de cinzas será no próximo dia 8, quando serão publicadas as delações da Odebrecht. Será um dia histórico. Nós poderemos ver como fomos enganados pela democracia representativa, como fomos burlados pelo presidencialismo de composição, como a reeleição sucessiva de deputados transforma o parlamento num cartório de privilégios, inclusive o do foro. Veremos como se pode transformar um ingênuo deputado do interior num ladrão. Veremos como se pode trocar a máscara ideológica pela máscara do réu. Veremos, um a um, os nomes de pessoas nas quais nunca mais haveremos de votar.

É claro que estão todos apavorados. É claro que ofereceriam as armas e as almas para melar a lava Jato. É claro que se acham injustiçados por esse instituto jurídico exótico que é a delação premiada. Como era bom o direito antigo, que só condenava os pobres e os batedores de carteira, e deixavam no seu devido lugar os colarinho branco, delinquentes de alto nível, muito acima da justiça.

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24/02/2017 - 23:28

A LÓGICA DA PINGUELA (4)

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Não se pode entender uma nomeação como a do novo ministro da Justiça. Temer nomeia qualquer um, sem dar a menor bola para a opinião pública. Perde com a maior tranquilidade um ministro com a força política de Serra. Mantém alguns companheiros que melhor estariam situados nas grades oferecidas pela lava Jato.

Isso tudo é uma opção que Temer fez pela economia de ajuste fiscal, canonizada pelo establishment,  executada por Henrique Meirelles, e que precisa dos votos, não importando o baixo nível dos deputados ou senadores votantes.

Depois de todas as propostas estarem bem votadas, com a reforma econômica consolidada, a Lava Jato  continuará denunciando cada um dos aquinhoados e Temer lavará as mãos na pia batismal do PMDB, demitindo um por vez.

Pois é assim que Temer pretende entrar para a Historia, se a justiça eleitoral permitir.

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23/02/2017 - 08:37

ALEXANDRE – O GRANDE

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O debate em torno da escolha e nomeação de Alexandre Moraes para o Supremo tem sido tão apenas político quanto sua indicação. Neste planeta tudo é politico e confessional. Conheço poucos candidatos a ministro do Supremo que não sejam filiados ou simpatizantes de algum partido. Se for ministro de um governo, claro que deve ser fiel ao governo que serve. Assim, em condições de probidade e notório saber, segundo a constituição, qualquer um deles pode ser escolhido ministro, independentemente de ser bom ou viciado o fato que a indicação seja feita pelo presidente e não por outra forma mais democrática.

Importante é considerar se o ministro tem o peso moral para ocupar essa função.

Na função, um ministro não pode mais ser confessional e também não pode ter simpatias partidárias ou relações afetivas comprometedoras. Agora ele é ministro vitalício do Supremo, com toda a independência que a lei lhe confere.

A verdade é que o Supremo melhora a qualidade de seus membros. Não há epitáfios negativos de ex-ministros. A sociedade os conhece e acompanha seus atos. É o nobre fim de uma carreira de juiz, advogado, promotor ou simples jurista. Os debates e julgamentos exigem analises profundas e circunstâncias sociais. Claro que há maus juízes, muito poucos, que se deixam levar pelo ego ou pelo afeto a antigas vizinhanças, mas a maioria deles melhora muito no supremo. Nós desconfiamos das nomeações de Lula e Dilma, hoje somos fãs de carteirinha finado Zavascki e do Fachin.

Já os outros poderes empobrecem seus titulares. No legislativo você entra como um jovem idealista de uma cidade do interior que o elegeu, mas no decurso do mandato torna-se candidato ao Lava Jato. Dezenas de assessores. Carros de luxo. Viagens de sonho. Apartamento funcional. E a cooptação pelos governos. O sonho de ser ministro. É a carreira mais adequada para se chegar ao Bangu 2. No Executivo você entra com o voto popular. Tem legitimidade. Manda. Assina. Nomeia. Controla o desajuste fiscal. O Executivo no Brasil é o caminho certo para a desmoralização pessoal a partir da corrupção institucionalizada.

A política não é responsável por isso. Responsáveis são os políticos que transformam a coisa pública em coisa própria.

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